"Dia Internacional do Jogo Responsável: um chamado para proteger nossas crianças"
Terça-feira 17 de Fevereiro 2026 / 12:00
2 minutos de lectura
No marco do dia 17 de fevereiro, data em que se celebra o Dia Internacional do Jogo Responsável, Jesús Acevedo, presidente da Loteria da Cidade de Buenos Aires (LOTBA), reflete sobre os desafios atuais relacionados ao acesso precoce ao jogo online, a necessidade de fortalecer a prevenção e o combate ao jogo ilegal, e o compromisso institucional de proteger crianças e adolescentes dos riscos da ludopatia, promovendo uma cultura de jogo responsável, seguro e legal.
Todo 17 de fevereiro é celebrado o Dia Internacional do Jogo Responsável, uma data estabelecida em nível mundial com o objetivo de promover o uso consciente, informado e responsável das apostas, entendendo essa atividade como uma forma de entretenimento que deve ocorrer dentro de limites saudáveis, legais e seguros.
Essa data busca estimular a reflexão e a conscientização sobre a importância do autocontrole, da prevenção de comportamentos problemáticos e da proteção das pessoas — especialmente menores de idade — em um contexto no qual o acesso aos jogos de azar, particularmente online, é cada vez mais imediato e permanente.
Até poucos anos atrás, a dependência do jogo afetava quase exclusivamente adultos. No entanto, o acesso massivo de jovens a dispositivos móveis e à internet mudou completamente esse cenário. Hoje, a relação precoce, constante e sem limites com a tecnologia pode se tornar pouco saudável: o uso deixa de ser uma escolha para se transformar em necessidade, expondo menores a um risco crescente de desenvolver comportamentos aditivos.
Diversos estudos mostram como certos mecanismos dos videogames incentivam essa relação problemática e contribuem para padrões de consumo compulsivo. Alguns jogos online — assim como sites de apostas ilegais — utilizam dinâmicas que ativam o circuito da dopamina no cérebro. Abrir um "baú" para ganhar moedas ou avançar de nível pode parecer tão inofensivo quanto abrir um pacote de figurinhas, mas não é. A sensação de recompensa imediata reforça o comportamento de jogo e, nessas plataformas, praticamente não existem limites. As chamadas recompensas intermitentes estão longe de ser inocentes.
Em muitos casos, esses mesmos jovens acabam migrando dos videogames para plataformas de apostas online e, frequentemente, para aquelas que operam fora da lei. Esse acesso — sem barreiras efetivas e sem controles parentais — combina imediatismo, promessas de ganhos rápidos e influência das redes sociais, elementos que podem desencadear padrões de jogo compulsivo.
Por isso, na Loteria da Cidade assumimos um compromisso inabalável de combater a ludopatia infantil, implementando estratégias destinadas a proteger os jovens e promover hábitos saudáveis. Este 17 de fevereiro, Dia Internacional do Jogo Responsável, é um lembrete oportuno para reforçar a importância de intensificar esse trabalho.
Um relatório recente da Cruz Vermelha revela que seis em cada dez adolescentes estão expostos ao jogo online, iniciando-se aos 13 ou 14 anos, facilitado pelo uso de carteiras virtuais pelo celular. Ao cruzarmos esses dados com a pesquisa realizada no ano passado pela Loteria da Cidade, surge uma lacuna preocupante: embora a maioria dos pais reconheça estar alarmada com o tema, apenas 4% acredita que seus filhos apostam, quando, na realidade, pesquisas feitas diretamente com adolescentes mostram números muito superiores. O mesmo ocorre em relação ao diálogo: os adultos acreditam que conversam sobre o tema, mas os jovens percebem pouco acompanhamento real.
Por isso, consideramos fundamental conscientizar as famílias e os próprios adolescentes sobre os riscos inerentes ao jogo e a necessidade de manter uma relação equilibrada. Nesse contexto, nossa campanha "Falar é ganhar", direcionada a pais, educadores, tutores, famílias e à comunidade em geral, tornou-se um de nossos principais pilares: busca criar espaços de diálogo, promover a prevenção e conscientizar por meio de uma abordagem integral e interdisciplinar.
Também estamos realizando campanhas informativas em escolas, clubes de bairro e colônias de férias, onde são distribuídos materiais educativos sobre os riscos da ludopatia e os sinais de alerta. É essencial alcançar os jovens antes que a dependência se instale. Por isso, trabalhamos com programas de prevenção precoce que lhes ofereçam ferramentas para tomar decisões informadas e resistir à tentação do jogo excessivo.
Ao mesmo tempo, avançamos com ações conjuntas junto a diversas áreas do Governo da Cidade — como Educação, Justiça, Desenvolvimento Humano, Esportes e Bem-Estar Integral — além de órgãos nacionais, entidades privadas e organizações do terceiro setor.
Paralelamente, fortalecemos o controle sobre operadores regulados e combatemos sites de apostas ilegais. Para nós, controle e regulação não são opcionais: são indispensáveis.
O jogo ilegal é um problema urgente. De nossa parte, tratamos essa questão como prioridade absoluta: bloqueamos mais de 2.200 sites de apostas online que não cumprem a normativa vigente e permitem o acesso de menores; denunciamos mais de 110 influenciadores e figuras públicas que os promovem; e gerenciamos o bloqueio de perfis nas redes sociais.
Nesse ponto, é importante destacar o trabalho colaborativo da Promotoria Especializada em Jogos de Azar (FEJA), sob responsabilidade do promotor Juan Rozas, do Ministério Público Fiscal da Cidade. Contar com uma promotoria especializada agiliza denúncias e reforça a capacidade de bloquear plataformas ilegais.
E, nesse aspecto, quero ser claro: não buscamos censurar conteúdos. Nossa intervenção ocorre quando um influenciador ou figura pública promove algo ilegal que, além disso, pode causar graves danos a menores. Como afirmou o Chefe de Governo da Cidade, Jorge Macri: "Crianças e apostas, não". Em hipótese alguma.
Nosso trabalho também não se limita ao combate ao ilegal: monitoramos e exigimos o cumprimento rigoroso de protocolos nas plataformas que regulamos, como validação biométrica, limites de apostas, autoexclusão para pessoas com problemas de jogo e ferramentas de controle parental, entre outros. O objetivo é garantir um ambiente seguro que impeça o acesso de menores.
Mas nada disso é suficiente se não conversarmos com as crianças e adolescentes. A tecnologia avança rapidamente, e os sites ilegais se multiplicam ainda mais rápido. Por isso, em 2026 continuaremos aprofundando o caminho iniciado, com o convite aberto para unir esforços entre todas as loterias do país e a sociedade como um todo, a fim de seguir combatendo o flagelo da ludopatia infantil e conscientizando sobre os benefícios de jogar de forma responsável, segura e legal.
*Jesús Acevedo é presidente da Loteria da Cidade de Buenos Aires (LOTBA) desde dezembro de 2023. É advogado especializado em questões legais, administrativas e institucionais, com experiência no setor público e no desenvolvimento de políticas relacionadas à regulação e fiscalização do jogo.
Categoría:Análisis
Tags: LOTBA,
País: Argentina
Región: Sudamérica
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