Análisis

Economista alerta que bets não são única causa do endividamento no Brasil

Segunda-feira 11 de Maio 2026 / 12:00

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(Brasília).- A nova fase do programa Desenrola reacendeu o debate sobre o impacto das apostas online no orçamento das famílias brasileiras. Em entrevista à CNN Brasil, a economista Juliana Inhasz afirmou que as bets não devem ser tratadas como únicas responsáveis pelo avanço da inadimplência no país e defendeu maior cautela na associação direta entre gambling e crise financeira das famílias.

Economista alerta que bets não são única causa do endividamento no Brasil

Desenrola 2.0 inclui restrições a sites de apostas

O governo federal prepara o lançamento do Desenrola 2.0, programa que permitirá a trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos utilizar recursos do FGTS para renegociar dívidas com descontos que podem chegar a 90%.

Segundo estimativas do Ministério do Trabalho, a medida deve gerar impacto de aproximadamente R$ 4,5 bilhões no fundo.

Entre os pontos anunciados pelo governo está a restrição de acesso a plataformas de apostas esportivas por um período de um ano para participantes do programa.

Especialista pede dados concretos sobre impacto das bets

Para Juliana Inhasz, a discussão sobre o papel das apostas no endividamento precisa ser baseada em estudos mais amplos e evidências concretas.

“Seria importante que o governo mostrasse dados e estudos claros sobre realmente o papel das bets nesse aumento de endividamento”, afirmou a economista.

Segundo ela, embora as apostas online façam parte do debate atual sobre consumo e crédito, o problema estrutural da inadimplência no Brasil envolve fatores econômicos mais amplos.

Baixa renda e educação financeira estão entre fatores centrais

A professora do Insper argumenta que questões como baixa produtividade, renda reduzida e ausência de educação financeira continuam sendo os principais motores do endividamento das famílias brasileiras.

“A gente continua fazendo um paliativo, tentando dar um tratamento para a consequência desse problema no curto prazo, mas ele continua existindo”, declarou.

Mercado acompanha debate regulatório sobre jogo responsável

As declarações surgem em um momento de intensificação das discussões regulatórias envolvendo o mercado brasileiro de apostas online, especialmente em temas ligados a jogo responsável, proteção financeira do consumidor e publicidade.

Nos últimos meses, autoridades e parlamentares têm ampliado propostas relacionadas ao controle de acesso, restrições publicitárias e mecanismos de prevenção ao jogo problemático.

Ao mesmo tempo, representantes da indústria defendem que o ambiente regulado oferece maior capacidade de monitoramento e implementação de ferramentas de proteção ao usuário.

Uso do FGTS para quitar dívidas gera preocupação

Além do debate sobre apostas, Juliana Inhasz demonstrou preocupação com o caráter recorrente do programa de renegociação de dívidas.

“A gente tira um programa desse caráter excepcional e pode estar começando a criar um programa recorrente”, afirmou.

Segundo a economista, a repetição frequente de programas de renegociação pode estimular percepção de que haverá sempre uma alternativa futura para quitação de dívidas, o que tende a elevar riscos de inadimplência e preocupação entre instituições financeiras.

Economista alerta para perda de proteção futura

A especialista também avaliou que o uso do FGTS pode aliviar situações críticas de endividamento no curto prazo, mas reduz a segurança financeira futura do trabalhador.

“É como se a gente estivesse substituindo o consumo lá na frente pelo pagamento da dívida hoje”, explicou.

Para o mercado de apostas e gaming, o debate evidencia como o crescimento das bets no Brasil passou a integrar discussões econômicas mais amplas envolvendo crédito, consumo, regulação e políticas públicas de proteção financeira.


Categoría:Análisis

Tags: Sin tags

País: Brasil

Región: Sudamérica

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