Legislacion

ANJL apresenta alternativas para evitar aumento de tributação das bets

Segunda-feira 09 de Junho 2025 / 12:00

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(Brasilia).- Em nota técnica enviada aos presidentes do Senado, da Câmara e líderes partidários, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) sugere nota técnica para impedir o reajuste da alíquota sobre o GGR de 12% para 18%, previsto como compensação à arrecadação do IOF estimada em R$ 20 bilhões para 2025.

ANJL apresenta alternativas para evitar aumento de tributação das bets

A Nota Técnica “Avaliação Econômico-Fiscal da Alternativa de Aumento da Tributação sobre Apostas Online em Substituição Parcial ao Aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)” produzida pelo economista e mestre em economia, Itanielson Cruz, analisa os riscos deste reajuste e questiona: “Aumento de Impostos nas Apostas Esportivas: Um Tiro no pé?”. O estudo, disponível para consulta pública, aponta que a elevação de encargos sobre um setor já caracterizado por alta carga tributária pode produzir efeitos adversos significativos.

Alguns parlamentares pretendem diminuir a alíquota do IOF e aumentar o imposto direcionado às empresas de apostas de quota fixa, para fins de compensar essa redução.

A estrutura tributária atual das empresas de apostas inclui tributação de 12% sobre o GGR, gerando arrecadação mensal de cerca de R$ 3,5 bilhões. As operadoras também pagam 34% sobre o lucro (25% de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e 9% de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), taxa de fiscalização anual de até R$ 23,3 milhões por empresa e taxa de outorga de R$ 30 milhões para funcionamento regular por cinco anos. Os apostadores são tributados com 15% de Imposto de Renda sobre prêmios líquidos obtidos nas plataformas. A reforma tributária prevê ainda um imposto seletivo com alíquota padrão de 26,5%, o que deve impactar ainda mais o setor.

O aumento da carga tributária terá impactos negativos para o setor de apostas de quota fixa, fazendo com que as empresas já licenciadas deixem de operar no Brasil e passem a atuar no mercado ilegal e diminuirá a arrecadação de impostos, fazendo o efeito contrário do pretendido, porque as empresas tenderão a sair do mercado regulado.

Um aumento de 5% sobre o imposto de GGR geraria arrecadação adicional de aproximadamente R$ 180 milhões mensais, totalizando cerca de R$ 2,2 bilhões por ano. Especialistas alertam, porém, que impostos mais altos podem levar empresas licenciadas a oferecer odds menos competitivas, incentivando apostadores a migrarem para plataformas ilegais. Esta migração representa um dos principais riscos da elevação tributária, junto com a redução da quantidade de operadores, maior concentração de mercado e possíveis questionamentos jurídicos baseados em alegações de quebra de previsibilidade regulatória.

Clubes de futebol manifestaram preocupação com um possível colapso do ecossistema esportivo. Em nota pública, estimaram perdas de R$ 1,6 bilhão anuais com o fim dos patrocínios de empresas de apostas, caso ocorram restrições adicionais ao setor.

O mercado ilegal representa aproximadamente 60% do setor de apostas de quota fixa no Brasil. No primeiro trimestre de 2025, enquanto o mercado regulado movimentou cerca de R$ 3,1 bilhões mensais, estima-se que o mercado ilegal tenha operado com valores entre R$ 6,5 e R$ 7 bilhões mensais.

Entre outubro de 2024 e março de 2025, o Ministério da Fazenda identificou 12,5 mil sites ilegais de empresas de apostas. Com o fortalecimento da fiscalização e incentivos à legalização, especialistas projetam que o mercado ilegal poderia ser reduzido para apenas 10% do total.

Esta redução do mercado ilegal poderia gerar arrecadação adicional de R$ 15 bilhões por ano considerando apenas os impostos federais já existentes, valor superior aos R$ 2,2 bilhões pretendidos com a compensação do aumento do IOF. Adicionalmente, com base nas estimativas de informalidade divulgadas pela ANJL, projeta-se que, em cenário de migração significativa para o mercado regulado, a arrecadação federal recorrente poderia ser incrementada em mais de R$ 8 bilhões anuais.

Para compensar a redução da alíquota do IOF, o governo federal precisaria tributar quase 80% do faturamento das plataformas de apostas. “assim, o combate ao mercado ilegal é muito mais eficiente para arrecadar impostos”, destaca o texto da nota técnica.

Os resultados iniciais da regulamentação já demonstram seu potencial arrecadatório. Quando o governo autorizou as primeiras 66 empresas a funcionarem legalmente no Brasil, foram arrecadados R$ 2 bilhões em outorgas. Ainda existe o risco do governo ter prejuízo de pelo menos R$ 2,8 bilhões com a desistência dos pedidos em curso atualmente na Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

Especialistas sugerem três alternativas principais ao aumento de impostos: fortalecer a fiscalização para identificar e punir operadoras ilegais; criar condições atrativas para que empresas irregulares se regularizem; e educar os apostadores sobre os riscos de utilizar plataformas não regulamentadas.

Em vez de alterar de forma imediata a alíquota atualmente vigente, pode ser mais prudente priorizar o aperfeiçoamento do ambiente regulatório e o fortalecimento das ações de fiscalização, contribuindo para preservar a integridade do modelo regulado, fortalecer a segurança jurídica e maximizar os resultados arrecadatórios de forma sustentável.

Categoría:Legislacion

Tags: ANJL,

País: Brasil

Región: Sudamérica

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