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Bets podem tirar R$ 2,6 bilhões do esporte olímpico e paralímpico

Quarta-feira 07 de Outubro 2026 / 12:00

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(Brasília).- A interrupção dos recursos provenientes das apostas esportivas pode retirar cerca de R$ 2,6 bilhões do esporte olímpico e paralímpico brasileiro até o final de 2027, segundo projeções do Comitê Olímpico do Brasil (COB). O impacto está relacionado à mudança no modelo de distribuição das receitas das bets e começaria ainda no último trimestre de 2026, com efeitos sobre entidades esportivas financiadas pela arrecadação do setor.

Bets podem tirar R$ 2,6 bilhões do esporte olímpico e paralímpico

Bets e financiamento do esporte brasileiro

De acordo com os cálculos do COB, o esporte deixaria de receber aproximadamente R$ 497 milhões entre outubro e dezembro de 2026. Para 2027, a estimativa aponta uma perda adicional de R$ 2,1 bilhões, levando o impacto total a cerca de R$ 2,6 bilhões até o fim do próximo ano.

A projeção considera o fluxo de arrecadação registrado entre 2025 e setembro de 2026. O valor, no entanto, pode ser ainda maior, já que o levantamento não contempla os contratos de patrocínio direto entre casas de apostas e confederações esportivas.

A mudança afeta um modelo de financiamento criado com a regulamentação das apostas de quota fixa no Brasil. Pela legislação anterior, uma parcela relevante da arrecadação das bets era direcionada ao esporte por meio de diferentes entidades.

Como os recursos das apostas eram distribuídos

O modelo anterior destinava 22,20% dos recursos ao Ministério do Esporte, enquanto 2,20% eram destinados ao Comitê Olímpico do Brasil (COB) e 1,30% ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

Outras parcelas eram destinadas ao Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), às entidades de desporto escolar e universitário e a organizações ligadas aos clubes paralímpicos e ao esporte master. Com a alteração das regras, essas instituições passam a enfrentar uma redução significativa das receitas vinculadas às apostas.

Impacto para COB e CPB

O efeito financeiro é particularmente relevante para o COB, que depende de uma parcela desses recursos para financiar suas atividades e a preparação de atletas brasileiros.

Segundo os dados divulgados, a entidade pode perder uma fonte de receita equivalente a aproximadamente 20% de seu orçamento, aumentando a pressão sobre projetos esportivos e sobre o planejamento para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

O Comitê Paralímpico Brasileiro também está entre as entidades diretamente afetadas. O CPB recebeu R$ 54,1 milhões provenientes das apostas até setembro de 2026 e projetava aproximadamente R$ 82,1 milhões para 2027.

A redução desses recursos ocorre em um momento em que as entidades esportivas precisam manter investimentos de longo prazo em preparação, formação e participação internacional.

Bets também sustentam patrocínios esportivos

Além da parcela da arrecadação destinada por lei ao esporte, as casas de apostas se tornaram importantes patrocinadoras de clubes, competições e entidades esportivas no Brasil.

Esse segundo fluxo de recursos não está incluído na estimativa de R$ 2,6 bilhões calculada pelo COB. Por isso, uma eventual saída das bets do mercado legal poderia ampliar o impacto financeiro sobre o ecossistema esportivo.

A situação também alcança modalidades além do futebol. Clubes de menor porte e equipes de divisões inferiores, por exemplo, apresentam maior dependência de receitas provenientes de patrocinadores do setor. Projetos de base, equipes femininas e competições de menor escala também podem ser afetados pela redução dos investimentos.

Efeito sobre outras modalidades

No basquete, cerca de 25% dos clubes do Novo Basquete Brasil (NBB) contam com apoio de casas de apostas, segundo levantamento citado pela Exame. A Liga Nacional de Basquete e a Confederação Brasileira de Basquete também mantêm acordos comerciais e de dados com empresas do segmento.

O impacto, portanto, ultrapassa os grandes contratos de patrocínio e alcança diferentes níveis da cadeia esportiva, desde entidades nacionais até clubes e eventos.

Mercado regulado e segurança jurídica

A possível retirada das bets do mercado brasileiro também abre uma discussão sobre o impacto econômico de mudanças abruptas em um setor que passou recentemente por um processo de regulamentação.

A questão é particularmente relevante para empresas que receberam autorização para operar, pagaram outorgas e realizaram investimentos com base no marco regulatório estabelecido pelo próprio Estado.

Para o setor de apostas, a manutenção de um ambiente regulado é também uma questão relacionada à segurança jurídica e à previsibilidade dos investimentos. A mudança nas regras pode afetar não apenas a arrecadação pública, mas também contratos comerciais e o financiamento de atividades esportivas que passaram a contar com o capital das operadoras.

Nesse cenário, a perda estimada de R$ 2,6 bilhões para o esporte olímpico e paralímpico até 2027 representa apenas uma parte dos possíveis efeitos econômicos associados à interrupção dos recursos das bets no Brasil.

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País: Brasil

Región: Sudamérica

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