Proibição de bets deixa sete clubes sem patrocínio máster no Brasil
Segunda-feira 19 de Outubro 2026 / 12:00
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(São Paulo).- A proibição da publicidade de casas de apostas no Brasil já provoca mudanças nos contratos de patrocínio do futebol nacional. Sete clubes da Série A ficaram sem patrocinador máster após a retirada das marcas de bets dos uniformes, enquanto equipes, entidades esportivas e representantes do setor pressionam o Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a medida provisória que restringe a publicidade, o marketing e o patrocínio de apostas de quota fixa.
Proibição de publicidade de bets muda cenário dos patrocínios
O levantamento publicado pelo Poder360, com base nas duas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro, identificou sete clubes que disputaram partidas sem uma marca na posição de patrocinador máster depois da saída das empresas de apostas.
Bahia, Cruzeiro, Grêmio, Vitória, Palmeiras, Chapecoense e Atlético-MG estão entre as equipes afetadas pela mudança. A medida também levou outros clubes a buscar alternativas comerciais e institucionais para ocupar o espaço nos uniformes.
O Corinthians, por exemplo, passou a exibir a marca Shopee nos jogos restantes do Campeonato Brasileiro de 2026, após uma ação pontual com a Jota.ai. Já Fluminense e São Paulo substituíram a Superbet pela Superscore.
Outras equipes optaram por promover iniciativas próprias. O Botafogo passou a divulgar o programa de sócio-torcedor Camisa 7, enquanto o Vasco destacou o Sócio Gigante e o Athletico-PR promoveu seu próprio programa de associados. O Santos utilizou inicialmente o uniforme para divulgar o Instituto Leão do Mar e, posteriormente, anunciou a Agibank como patrocinadora máster da equipe masculina profissional até o fim da temporada.
Clubes buscam alternativas após a saída das operadoras
O impacto da restrição também aparece em contratos anteriores e em acordos temporários. O Internacional está sem patrocinador máster fixo desde a rescisão com a Alfa Bet, em janeiro de 2026, e exibiu a marca Shopee nas duas partidas mais recentes do Brasileirão consideradas pelo levantamento.
O Remo, por sua vez, estampa a marca Banpará, embora já tenha exibido o logotipo da VaideBet. O Coritiba não teve uma casa de apostas como patrocinadora em 2026, mas já manteve acordo com a Reals Bet.
O Red Bull Bragantino e o Mirassol não precisaram substituir marcas do setor na posição principal, pois já utilizavam outras empresas: Red Bull e Guaraná Poty, respectivamente.
Flamengo e Fluminense protestam contra a medida
A reação dos clubes também ganhou visibilidade nos gramados. Em 11 de outubro, Flamengo e Fluminense exibiram a mensagem “Proibir não é proteger” nos uniformes durante o clássico entre as equipes. A frase também apareceu em placas publicitárias nos estádios.
O Flamengo tinha a Betano como patrocinadora máster e tentou obter na Justiça a suspensão da proibição, mas não conseguiu uma liminar antes do prazo para retirar a publicidade de apostas.
Representantes da indústria argumentam que a restrição não elimina a atividade de apostas e alertam para a insegurança jurídica e os prejuízos provocados pela alteração de contratos de publicidade e patrocínio.
A dimensão econômica dessa relação é expressiva. Segundo levantamento da consultoria Sports Value, as casas de apostas responderam por 34% das receitas de marketing dos 20 maiores clubes do futebol brasileiro em 2025.
No período, os clubes registraram R$ 3,2 bilhões em receitas de marketing, dos quais aproximadamente R$ 1,1 bilhão veio de patrocínios de empresas de apostas. Os números evidenciam a relevância das operadoras para o financiamento comercial do futebol brasileiro.
Setor de apostas questiona medida no Supremo
A disputa jurídica em torno da Medida Provisória 1.394 envolve entidades da indústria, clubes de futebol e representantes dos meios de comunicação.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) recorreram ao STF em 28 de setembro, solicitando a suspensão da medida até que o Congresso Nacional ou o plenário da Corte analise o texto.
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) também apresentou uma ação contra a MP, em 30 de setembro. A entidade argumentou que as empresas de comunicação foram impedidas de cumprir acordos regularmente firmados e alertou para perdas de receita.
No âmbito esportivo, o Flamengo ingressou em três ações relacionadas à regulamentação das bets como amicus curiae, figura jurídica que permite a participação de terceiros interessados para apresentar argumentos e informações ao tribunal.
Em 1º de outubro, São Paulo, Ponte Preta, Guarani, Portuguesa e Vitória também recorreram ao Supremo, solicitando um prazo de até um ano para que os clubes se adaptem às novas regras. As equipes apontaram riscos para o Campeonato Brasileiro e defenderam a importância do futebol como patrimônio cultural brasileiro.
O Botafogo pediu para participar do processo na mesma condição, argumentando que a medida afeta não apenas o futebol profissional masculino, mas também o futebol feminino, as modalidades olímpicas e paralímpicas e as categorias de base. Cruzeiro, Fluminense e outros 14 clubes também solicitaram participação nas discussões judiciais e apoio ao pedido de suspensão apresentado pelas entidades do setor.
A Advocacia-Geral da União (AGU), por sua vez, defende a manutenção da proibição. O órgão pediu ao STF que ouça a Procuradoria-Geral da República e avalie a realização de uma audiência pública antes de tomar uma decisão.
O ministro Luiz Fux, relator das ações relacionadas ao tema, deverá analisar o caso após o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro de 2026. A decisão do Supremo e a avaliação da medida pelo Congresso poderão redefinir as condições para a publicidade de apostas e os acordos de patrocínio esportivo no país.
Venda de uniformes antigos é autorizada
Outra questão decorrente da proibição envolve os uniformes já produzidos com marcas de casas de apostas. Em 5 de outubro, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência autorizou a comercialização de peças em estoque fabricadas antes da entrada em vigor da medida provisória.
A autorização permite a venda desses produtos, desde que a operação não seja utilizada como uma nova ação publicitária ou promocional das empresas de apostas. A decisão não libera novas campanhas de marketing nem permite a prorrogação dos contratos com operadoras.
Com clubes em busca de novos patrocinadores e a indústria contestando as restrições na Justiça, o futuro da publicidade de bets no futebol brasileiro permanece condicionado à evolução da disputa regulatória. O desfecho poderá ter consequências relevantes para as estratégias comerciais dos clubes, para o mercado de mídia esportiva e para a presença das operadoras no principal campeonato nacional.
Categoría:Otros
Tags: Sin tags
País: Brasil
Región: Sudamérica
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