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Apostas esportivas movimentam mais de R$ 1 bi no futebol

Quinta-feira 24 de Setembro 2026 / 12:00

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(Brasília).- Especialistas e clubes brasileiros avaliam os possíveis impactos econômicos de novas restrições ao mercado de apostas esportivas, enquanto os investimentos das casas de apostas em patrocínios aos clubes da elite do futebol nacional já superam R$ 1 bilhão por ano. O debate ocorre diante da possibilidade de uma nova Medida Provisória (MP) estabelecer restrições adicionais ao setor, incluindo medidas sobre cassinos online e publicidade.

Apostas esportivas movimentam mais de R$ 1 bi no futebol

Clubes defendem manutenção do mercado regulado

Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicar uma ofensiva contra as bets, uma série de clubes brasileiros se posicionou contra a possibilidade de encerramento das atividades das casas de apostas no país.

Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Santos, Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Cruzeiro e Atlético-MG estão entre as equipes que aderiram ao manifesto, juntamente com federações como as de São Paulo e do Rio de Janeiro.

O documento defende a manutenção do mercado regulado e propõe o enfrentamento dos problemas relacionados às apostas por meio do fortalecimento das regras de proteção ao consumidor, educação, fiscalização e combate às plataformas clandestinas.

A possibilidade de restrições mais amplas também gera preocupação em relação ao financiamento do futebol brasileiro, uma vez que as empresas de apostas se tornaram uma das principais fontes de patrocínio dos clubes.

Patrocínios das bets superam R$ 1 bilhão

Os acordos de patrocínio master firmados entre casas de apostas e clubes da Série A do Campeonato Brasileiro já ultrapassaram R$ 1 bilhão em investimentos anuais.

Quatro clubes possuem atualmente contratos superiores a R$ 100 milhões por ano: Flamengo, com a Betano, em um acordo de R$ 268,5 milhões; Corinthians, com a Esportes da Sorte, por R$ 150 milhões; São Paulo, com a Superbet, por R$ 113 milhões; e Palmeiras, com a Sportingbet, por R$ 100 milhões.

Os quatro acordos representam os maiores contratos de patrocínio da história de seus respectivos clubes. Segundo a análise apresentada, uma eventual restrição total à publicidade de apostas poderia dificultar a substituição desses valores por investimentos de outros segmentos.

Setor de apostas alerta para avanço do mercado clandestino

Além do impacto sobre o futebol, especialistas do setor apontam possíveis consequências para a canalização das apostas e o combate às plataformas ilegais caso sejam adotadas novas restrições ao mercado regulado.

Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e sócio do escritório Betlaw, destaca a contribuição do setor para a economia brasileira por meio de investimentos no esporte, entretenimento e arrecadação tributária.

Segundo o consultor, o Governo arrecadou quase R$ 10 bilhões com o setor em 2025. Ele também aponta o crescimento do mercado clandestino como um dos riscos associados a restrições mais severas.

“A única forma de bloquear os efeitos danosos é com regulamentação e educação em um negócio chamado canalização.”

Freire explica que a canalização depende de um período de regulamentação capaz de direcionar os apostadores para o mercado legal e, a partir disso, estabelecer mecanismos de controle.

Estudo aponta possível crescimento das plataformas ilegais

De acordo com um estudo elaborado pela ANJL, uma eventual proibição dos cassinos online para empresas de apostas legalizadas no Brasil poderia elevar a participação dos sites ilegais de 41% para 82% do mercado.

A entidade utiliza essa projeção para destacar os possíveis efeitos de uma redução do mercado regulado sobre a canalização e a fiscalização das atividades de apostas.

Freire também questiona a interpretação de que as bets seriam a causa dos problemas associados ao jogo e relaciona a procura por essas plataformas a fatores econômicos e ao endividamento.

“Acho que tem um grande erro conceitual no governo, que acha que as bets são a causa. As bets são a consequência.”

Mercado regulado destaca empregos e jogo responsável

João Fraga, CEO da Paag, empresa de tecnologia especializada em gestão de risco para o mercado de apostas, também destaca os efeitos econômicos e regulatórios do segmento legalizado.

Segundo Fraga, o mercado regulado é responsável por mais de 10 mil empregos diretos e outros 5,5 mil indiretos, além de movimentar uma ampla cadeia produtiva.

“No campo social, o modelo regulado representa um avanço importante, ao estabelecer práticas de jogo responsável, proteger menores e garantir a rastreabilidade das operações financeiras, fatores que fortalecem a transparência e o combate a fraudes”, destaca.

Para o executivo, a regulamentação estabelece mecanismos de controle que abrangem tanto a proteção dos usuários quanto o acompanhamento das operações financeiras realizadas pelas empresas autorizadas.

Publicidade é apontada como ferramenta de identificação

Daniel Fortune, criador de conteúdo dedicado à conscientização sobre as apostas, também defende a importância do mercado regulamentado e das normas de fiscalização para a construção de um ambiente considerado mais seguro para os apostadores.

Nesse contexto, Fortune aponta a publicidade como um mecanismo que pode ajudar os consumidores a diferenciar empresas autorizadas de plataformas ilegais.

“A publicidade de apostas tem um papel importante ao ajudar o consumidor a identificar quais plataformas atuam de forma legal e regulamentada no Brasil.”

O especialista ressalta, porém, que essa exposição deve ser acompanhada de comunicação responsável, com informações sobre riscos, incentivo à definição de limites e conteúdos relacionados ao jogo responsável.

Segundo Fortune, a comunicação deve seguir as diretrizes da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) e do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar).

Governo avalia novas restrições às apostas

Entre as medidas em discussão estão possíveis restrições aos cassinos online, incluindo modalidades conhecidas no mercado como “jogos do tigrinho”, além de regras mais rígidas para a publicidade de apostas.

A previsão apresentada no debate é que a Medida Provisória seja finalizada após o retorno de Lula dos Estados Unidos, a partir de quarta-feira (23).

O eventual endurecimento das regras coloca em discussão não apenas a operação das empresas de apostas autorizadas, mas também os efeitos sobre patrocínios esportivos, arrecadação, empregos, publicidade, jogo responsável e combate ao mercado clandestino.

Categoría:Sportsbook

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País: Brasil

Región: Sudamérica

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