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Controvérsia no Reino Unido: nova regra mira casas de apostas nas ruas comerciais

Sexta-feira 21 de Agosto 2026 / 12:00

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(Londres, SoloAzar Exclusivo).- Após a histórica reforma do Gambling Act, o governo britânico prepara novas medidas para o setor: a proposta busca conceder aos municípios poderes para bloquear a abertura de novas casas de apostas e centros de jogos, como parte de uma estratégia para revitalizar as principais ruas comerciais do país. Entretanto, grupos importantes da indústria, como a Entain, rejeitam fortemente a reforma e afirmam ser alvo de uma espécie de campanha contra o setor.

Controvérsia no Reino Unido: nova regra mira casas de apostas nas ruas comerciais

A história continua

A maior reformulação do mercado de jogos de azar britânico em quase duas décadas ainda não terminou. Após implementar grande parte das reformas decorrentes do White Paper do Gambling Act 2005, o governo trabalhista abriu uma nova frente regulatória que pode transformar o segmento land-based: conceder às autoridades locais maiores poderes para impedir a abertura de novas casas de apostas e adult gaming centres (AGCs).

A iniciativa, promovida pelo prefeito da Greater Manchester, Andy Burnham, faz parte de uma estratégia mais ampla para recuperar as tradicionais ruas comerciais do Reino Unido, onde o fechamento de lojas independentes e pubs coincidiu com o crescimento de casas de apostas e lojas de vape.

Uma reforma que agora olha para o território

A revisão do Gambling Act concentrou-se principalmente no jogo online, nos controles de affordability, na proteção dos consumidores e no fortalecimento da supervisão dos operadores. No entanto, o debate político agora se deslocou para o impacto urbano dos estabelecimentos físicos.

Burnham pediu ao primeiro-ministro Keir Starmer que elimine as regulamentações que limitam a capacidade dos municípios de rejeitar novas licenças de jogos de azar. A petição recebeu o apoio de quase 300 políticos e ativistas, que defendem que as comunidades devem decidir como querem que sejam suas principais ruas comerciais.

Segundo fontes do governo britânico, uma consulta pública acelerada de seis semanas buscará introduzir as novas medidas, com o objetivo de que entrem em vigor no início de 2027.

"As pessoas locais terão mais influência sobre a abertura ou não dessas lojas, dando a elas uma voz real sobre como devem ser suas ruas comerciais", afirmou Downing Street.

O argumento econômico por trás das casas de apostas

Uma das vozes mais ativas nessa campanha é Dawn Butler, deputada por Brent East, que afirmou que compreender a rentabilidade das máquinas de jogos mudou completamente sua visão sobre a presença do setor nas ruas comerciais.

"Foi um verdadeiro choque para mim descobrir, durante uma visita anterior a uma rua comercial com o The Guardian, quanto dinheiro as máquinas de caça-níqueis podem gerar", afirmou Butler.

A parlamentar citou uma análise oficial baseada em dados da Gambling Commission, segundo a qual as máquinas B3 geram uma receita bruta média de £35 mil por ano por máquina.

"Esse número me fez compreender a dimensão da presença da indústria de jogos de azar em nossas ruas comerciais e por que eles gostariam de ter várias lojas na mesma rua para maximizar seus lucros", explicou.

Butler também comparou essas receitas aos salários dos trabalhadores britânicos para ilustrar o impacto econômico do negócio.

"Para colocar isso em perspectiva, o salário mínimo nacional para uma pessoa com 21 anos ou mais é de cerca de £26.400 por ano, trabalhando 40 horas por semana. Em Brent, o salário médio é inferior a £35 mil. Essa experiência reforçou para mim por que era necessária uma ação urgente."

Por outro lado, Stella David, CEO da Entain, rejeitou o projeto do governo britânico que concederia aos municípios maiores poderes para bloquear a abertura de novas casas de apostas. Ela afirmou que existe uma diferença clara entre casas de apostas tradicionais, como Ladbrokes e Coral, e os adult gaming centres (AGCs), que operam máquinas de caça-níqueis de alto valor e seguem um modelo de negócios diferente.

De acordo com a reportagem do The Times, o setor argumenta que as casas de apostas estão sendo associadas injustamente à deterioração das ruas comerciais. O Betting and Gaming Council afirma que o número de estabelecimentos caiu mais de um terço desde 2019, com cerca de 3 mil lojas fechadas, enquanto os adult gaming centres cresceram 7% entre 2022 e 2024, chegando a 1.451 estabelecimentos.

O que as máquinas B3 representam para a indústria?

As máquinas B3 estão entre os principais geradores de receita das casas de apostas e dos centros de jogos de azar para adultos no Reino Unido. Sua alta rentabilidade é alvo de debate há anos, já que, em parte, explica a concentração de vários estabelecimentos de um mesmo operador em uma mesma área comercial.

Para os defensores da reforma, limitar a abertura de novos estabelecimentos não significa proibir os jogos de azar, mas evitar a saturação de determinadas comunidades e devolver maior poder de decisão aos governos locais.

Potencial impacto no mercado britânico

Caso a proposta avance, os operadores do segmento land-based poderão enfrentar um cenário regulatório significativamente diferente:

  • Maior poder de veto por parte dos municípios.
  • Processos de autorização mais exigentes e com maior participação da população.
  • Menores oportunidades de expansão física em determinadas cidades.
  • Maior valor estratégico das licenças e dos estabelecimentos já existentes.

À medida que o crescimento do setor continua se deslocando para o jogo online, o debate político demonstra que as ruas comerciais continuam sendo um elemento central da regulação britânica.

Em conclusão, a controvérsia está longe de ser resolvida. Nesse contexto, a próxima grande transformação do mercado pode não depender de novos limites de depósito ou controles financeiros, mas de uma questão muito mais visível para as comunidades: quem decide quantas casas de apostas podem abrir em uma rua comercial.

Categoría:Exclusiva

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País: Reino Unido

Región: EMEA

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