ADCJ pede modernização da regulamentação dos cassinos na República Dominicana
Segunda-feira 10 de Agosto 2026 / 12:00
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(Santo Domingo, Exclusivo SoloAzar).— Em meio ao debate sobre o novo Projeto de Lei sobre Jogos de Azar na República Dominicana, David Moniz, presidente da Associação Dominicana de Cassinos de Jogos (ADCJ), analisa as principais mudanças propostas pelo novo marco regulatório e as prioridades que, em sua avaliação, deveriam orientar sua implementação. A entidade considera que a reforma representa uma oportunidade para modernizar a supervisão, fortalecer a formalização, garantir segurança jurídica e consolidar padrões internacionais para a indústria de cassinos e jogos de azar.
Uma reforma para fortalecer a supervisão dos jogos de azar
A ADCJ sustenta que a indústria de cassinos constitui um dos componentes relevantes da oferta turística dominicana, por estar integrada principalmente a complexos hoteleiros e contribuir para a geração de empregos formais, investimentos e atividade econômica.
Durante as últimas décadas, o setor também incorporou padrões internacionais de compliance, controles internos, prevenção à lavagem de dinheiro, auditorias independentes e estruturas de governança corporativa. Nesse contexto, a associação participa do debate sobre o novo projeto de lei com o objetivo de contribuir para a construção de um marco regulatório alinhado à evolução tecnológica e comercial do mercado.
O projeto prevê a criação de uma Direção Geral de Jogos como órgão regulador, além de um regime de licenças e controles mais rigorosos sobre as operações presenciais e digitais.
Independência e capacidade efetiva de supervisão
Consultado sobre as mudanças que a ADCJ espera com a implementação desse novo modelo, David Moniz afirmou:
“A criação de uma autoridade especializada representa uma oportunidade para fortalecer a institucionalidade do setor, desde que conte com independência técnica, regras claras e capacidade efetiva de supervisão. Na Associação Dominicana de Cassinos de Jogos, entendemos que o sucesso de qualquer órgão regulador não dependerá apenas de novas atribuições legais, mas da aplicação uniforme da regulamentação, da transparência de suas ações e da segurança jurídica que ofereça a todos os operadores.”
“Esperamos um modelo de supervisão baseado em critérios técnicos, com processos modernos de licenciamento, fiscalização e controle que permitam reduzir a informalidade, garantir condições de concorrência leal e proteger tanto o consumidor quanto o investimento responsável. Uma regulamentação eficiente deve facilitar o cumprimento das regras, e não transformá-lo em um ônus desproporcional.”
Para a ADCJ, a modernização do marco legal deve buscar fortalecer o cumprimento efetivo das normas por meio de um sistema regulatório moderno, proporcional e tecnicamente consistente. O objetivo é que a regulamentação incentive a formalização e permita melhorar a capacidade de supervisão do Estado sem criar condições que favoreçam o deslocamento das operações para a informalidade.
O debate sobre as licenças de cassinos
Um dos aspectos que gera maior debate dentro do projeto é a moratória de dez anos para novas licenças de determinados estabelecimentos, embora sejam previstas exceções para cassinos localizados em hotéis e zonas turísticas.
A ADCJ também questiona a proposta de separar as licenças correspondentes aos jogos de mesa e às máquinas caça-níqueis, considerando que ambas as atividades fazem parte de uma operação integrada de cassino. Em sua avaliação, essa fragmentação poderia introduzir complexidades operacionais e insegurança jurídica em uma atividade que exige regras claras e previsíveis para continuar atraindo investimentos.
A proposta de uma licença de 15 anos
Sobre a moratória e a duração das licenças, Moniz explicou:
“Esse ponto continua sendo debatido. Originalmente, contemplava cinco anos e já foi aumentado para dez anos. Por critérios de proporcionalidade regulatória, segurança jurídica e padrões internacionais da indústria de cassinos e turismo — onde autorizações de longo prazo são a regra —, continuamos insistindo que a licença de cassino deve ter duração não inferior a quinze (15) anos, renovável por períodos iguais, sem que isso afete o poder de polícia do Estado, que mantém integralmente suas atribuições de supervisão, sanção, suspensão e revogação.”
A associação considera que a previsibilidade regulatória é especialmente relevante para uma atividade vinculada ao turismo e a investimentos de longo prazo. Nesse sentido, defende que a nova legislação seja fundamentada nos princípios de razoabilidade, proporcionalidade, segurança jurídica e igualdade regulatória.
Informalidade e concorrência desleal entre os desafios do mercado
Outro dos eixos centrais do debate regulatório é o crescimento de determinados pontos de apostas e a necessidade de reforçar os mecanismos de fiscalização para evitar situações de concorrência desleal.
Para a ADCJ, o desafio não consiste apenas em incorporar novas restrições, mas em garantir uma aplicação efetiva e uniforme das regras existentes.
Cumprimento efetivo das normas
Questionado sobre os principais desafios relacionados à organização e fiscalização do mercado dominicano, o presidente da associação respondeu:
“O principal desafio do mercado dominicano não é a falta de regulamentação, mas a necessidade de alcançar um cumprimento efetivo e uniforme das normas existentes. Durante anos, ocorreu um crescimento desigual entre diferentes subsetores dos jogos de azar, gerando espaços nos quais a informalidade e a concorrência desleal afetam aqueles que operam dentro do marco legal.”
“A experiência internacional demonstra que, quando as regras são modernas, proporcionais e aplicadas de maneira consistente, aumenta a formalização e melhora a capacidade de arrecadação do Estado. Por outro lado, quando existem encargos regulatórios desalinhados com a realidade do mercado ou uma supervisão desigual, são criados incentivos que favorecem a permanência de operadores à margem do sistema.”
Na perspectiva da ADCJ, uma legislação desatualizada diante da evolução do mercado e uma aplicação desigual das disposições vigentes podem gerar espaços de informalidade, concorrência desleal e distorções regulatórias que acabam afetando tanto o Estado quanto os operadores que cumprem suas obrigações.
Tributação e padrões internacionais
Além das licenças e dos mecanismos de supervisão, a ADCJ considera necessário revisar determinados aspectos técnicos do projeto antes de sua aprovação definitiva.
Um deles é a definição da base de cálculo. A associação aponta que o projeto adota o critério de GGR para determinadas modalidades, como os jogos pela internet, enquanto estabelece uma metodologia diferente para outras atividades, calculando o imposto sobre o valor total apostado sem deduzir os prêmios.
Para a ADCJ, essa diferença poderia gerar interpretações contraditórias, dificuldades administrativas e distorções tributárias, razão pela qual considera conveniente revisar o critério antes da aprovação definitiva da legislação.
A associação também questiona as restrições de horário aplicáveis exclusivamente aos cassinos. Sua posição é que esses estabelecimentos fazem parte da oferta permanente de entretenimento dos complexos hoteleiros e atendem a uma demanda turística internacional que não necessariamente se adapta aos horários comerciais tradicionais.
As prioridades para uma nova etapa regulatória
Caso a nova lei seja definitivamente aprovada, o desafio será determinar como implementar o novo sistema sem afetar a sustentabilidade das operações formais e, ao mesmo tempo, elevar os padrões de controle, proteção ao usuário e jogo responsável.
Segurança jurídica, supervisão e jogo responsável
Sobre as prioridades que deveriam ser assumidas pelo Estado e pelos operadores, Moniz afirmou:
“A aprovação de uma nova lei deve marcar o início de uma nova etapa para a indústria, baseada em quatro prioridades fundamentais: primeiro, garantir segurança jurídica e estabilidade regulatória; segundo, fortalecer a supervisão com critérios técnicos e homogêneos para todos os operadores; terceiro, promover a formalização por meio de um marco regulatório moderno, proporcional e competitivo; e quarto, consolidar os padrões de proteção ao usuário, prevenção à lavagem de dinheiro e jogo responsável.”
“A Associação Dominicana de Cassinos de Jogos está convencida de que a melhor regulamentação é aquela que consegue equilibrar o interesse público com o desenvolvimento econômico, promove o cumprimento voluntário e cria as condições para que o setor continue contribuindo para o turismo, o emprego formal e as finanças públicas.”
Para a ADCJ, o objetivo da nova legislação não deveria se limitar a aumentar os controles, mas construir um sistema que promova o cumprimento voluntário, incentive o investimento formal, fortaleça a supervisão estatal e eleve os padrões de transparência para todos os participantes do mercado.
Uma oportunidade para o mercado dominicano
O debate sobre a nova Lei de Jogos de Azar abre uma etapa de definição para o futuro da indústria dominicana. Para a ADCJ, a modernização do marco regulatório deve permitir ao Estado fortalecer suas ferramentas de supervisão sem gerar encargos desproporcionais que possam favorecer a informalidade.
A associação também destaca a trajetória de compliance dos cassinos dominicanos e sua contribuição para o turismo, o emprego formal e a economia nacional. Nesse sentido, considera que a reforma pode se transformar em uma oportunidade para consolidar um modelo regulatório capaz de combinar proteção ao consumidor, concorrência leal, segurança jurídica e investimento.
Em um mercado em processo de transformação, a discussão sobre a nova legislação será determinante não apenas para definir as condições de operação dos cassinos e dos demais segmentos dos jogos de azar, mas também para estabelecer o equilíbrio entre controle estatal, desenvolvimento econômico e competitividade da República Dominicana como destino turístico internacional.
Categoría:Exclusiva
Tags: Sin tags
País: República Dominicana
Región: América Central y Caribe
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