Bárbara Teles defende proteção específica para mulheres nas bets
Segunda-feira 31 de Agosto 2026 / 12:00
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(São Paulo).- Em coluna de opinião publicada pela Folha de S.Paulo, a advogada e cofundadora da Associação de Mulheres da Indústria do Gaming (Amig), Bárbara Teles, defende uma proteção mais adequada para as mulheres que apostam online no Brasil. A autora argumenta que políticas eficazes de jogo responsável dependem de diagnósticos mais precisos, dados que diferenciem o mercado regulado do ilegal e uma fiscalização capaz de proteger as apostadoras sem recorrer à proibição.
Mulheres e apostas online: um mercado que exige mais dados
Na coluna, publicada em 30 de agosto de 2026 na seção Opinião da Folha de S.Paulo, Teles analisa uma pesquisa realizada pelo Estúdio Clarice, Estratégia Latina e Instituto Ideia sobre o comportamento feminino nas apostas online. Segundo a autora, o estudo contribui para o debate, mas apresenta lacunas importantes para compreender a dimensão dos danos associados às bets.
Teles destaca que as mulheres têm participação relevante nas apostas online, especialmente nos cassinos digitais, e afirma que parte delas aposta motivada pelo desejo de melhorar a situação financeira de pessoas próximas.
A autora alerta, porém, que utilizar as apostas como mecanismo de geração ou complementação de renda contraria os princípios de jogo responsável. Em sua avaliação, apostar deve ser entendido como entretenimento, e eventuais ganhos não representam uma fonte de renda previsível, mas resultado do acaso.
A pesquisa não diferencia apostas legais e ilegais
Um dos principais argumentos apresentados na coluna é a necessidade de aprimorar a qualidade dos dados utilizados para formular políticas públicas.
Teles aponta que a pesquisa não separa as apostadoras recreativas daquelas que sofreram danos relacionados ao jogo. Também questiona a inclusão, no grupo considerado problemático, de pessoas que já deixaram de apostar.
Outro ponto destacado é a ausência de distinção entre problemas ocorridos antes e depois da entrada em vigor do mercado regulado brasileiro, além da falta de separação entre bets autorizadas e operadores ilegais.
Para a autora, sem essas diferenciações não é possível avaliar adequadamente os efeitos da regulamentação nem identificar quais medidas precisam ser aprimoradas.
Regulamentação como instrumento de proteção
Teles também chama atenção para as mudanças implementadas no mercado brasileiro a partir de 2025. As novas regras passaram a estabelecer exigências relacionadas à qualificação técnica dos operadores, responsabilidade social e proteção de públicos vulneráveis.
Segundo a colunista, as empresas autorizadas precisam cumprir essas obrigações para manter suas licenças, criando um ambiente regulatório que deve ser acompanhado por fiscalização efetiva.
Nesse contexto, a autora defende a produção de mais dados sobre o comportamento das apostadoras para orientar políticas de prevenção e proteção.
Proibição não elimina o mercado de apostas
A conclusão da coluna está diretamente relacionada ao debate sobre o futuro da regulamentação das bets no Brasil.
Teles argumenta que simplesmente proibir as apostas não eliminaria a demanda e poderia reduzir as possibilidades de proteção dos consumidores.
“Afinal, proibir não acabará com as apostas, apenas com a proteção às apostadoras.”
Para a autora, o caminho seria fortalecer a regulamentação e a fiscalização das operadoras, especialmente para diferenciar o mercado legal daquele que atua fora das regras brasileiras.
Mulheres também ocupam espaço na indústria do gaming
A coluna amplia o debate ao destacar que as mulheres não estão presentes apenas como consumidoras de apostas.
Teles ressalta a participação feminina na própria indústria do gaming, mencionando a existência de milhares de mulheres em diferentes posições dentro das empresas do setor.
Como cofundadora e diretora da Associação de Mulheres da Indústria do Gaming (Amig), a autora defende uma indústria mais íntegra, responsável e sustentável, na qual a proteção contemple tanto as apostadoras quanto as profissionais que trabalham no segmento.
Um debate que envolve jogo responsável e mercado regulado
A análise publicada pela Folha de S.Paulo coloca a proteção das mulheres no centro do debate sobre a evolução do mercado brasileiro de apostas.
A perspectiva apresentada por Bárbara Teles é que políticas de jogo responsável precisam partir de um diagnóstico capaz de distinguir diferentes perfis de apostadoras, níveis de risco e tipos de operadores.
Nesse sentido, a autora defende que regulação, fiscalização e informação de qualidade sejam utilizadas conjuntamente para ampliar a proteção das mulheres e reduzir os riscos associados ao jogo online, sem perder de vista a existência de um mercado ilegal que permanece fora do alcance das ferramentas de proteção previstas para operadores licenciados.
Leia a coluna original na Folha de S.Paulo.
Categoría:Análisis
Tags: Sin tags
País: Brasil
Región: Sudamérica
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