Apostas representam 0,46% do consumo das famílias no Brasil
Terça-feira 02 de Junho 2026 / 12:00
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(São Paulo).- O debate sobre o impacto econômico das apostas online no Brasil ganhou novos contornos após a divulgação de um estudo da LCA Consultoria que aponta que as apostas online representam apenas 0,46% do consumo das famílias no Produto Interno Bruto (PIB). Para André Gelfi, diretor, conselheiro e cofundador do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), os números demonstram que o setor tem sido responsabilizado de forma desproporcional por problemas estruturais da economia brasileira.
Estudo mostra que apostas representam parcela reduzida dos gastos familiares
Segundo os dados analisados pela LCA Consultoria, as apostas representam cerca de R$ 37 bilhões em gastos anuais dos brasileiros. O valor é semelhante ao consumo de bebidas alcoólicas, estimado em R$ 40,5 bilhões por ano.
O levantamento também revela que esses gastos representam aproximadamente um quarto das despesas das famílias com celulares e acessórios, segmento que movimenta cerca de R$ 152 bilhões anuais. Para o IBJR, os dados ajudam a contextualizar o peso real das apostas dentro da economia doméstica e afastam a percepção de que o setor seja um dos principais responsáveis pelo comprometimento da renda das famílias.
“O estudo é fundamental para desmistificar a ideia de que o setor está drenando a economia brasileira de forma descontrolada”, afirmou Gelfi.
O executivo ressaltou ainda que a sustentabilidade da indústria depende diretamente da saúde financeira dos consumidores e defendeu uma análise mais ampla dos fatores que contribuem para o endividamento da população.
Endividamento estrutural continua sendo o principal desafio
Na avaliação do dirigente do IBJR, os elevados custos do crédito no Brasil desempenham papel muito mais relevante no endividamento das famílias do que os gastos com entretenimento.
Gelfi destacou que as taxas de juros cobradas no cartão de crédito rotativo frequentemente ultrapassam 450% ao ano, tornando-se um dos principais fatores de pressão sobre o orçamento dos consumidores.
“Os dados mostram que o endividamento estrutural do brasileiro é fruto dos juros elevados e não do entretenimento, categoria na qual as apostas estão inseridas”, argumentou.
Para o executivo, a discussão sobre o impacto econômico do setor deve considerar o contexto macroeconômico do país, evitando conclusões simplificadas sobre a origem dos problemas financeiros enfrentados por parte da população.
Setor rejeita associação entre bets e desaceleração do varejo
Nos últimos meses, representantes do varejo brasileiro têm manifestado preocupação com uma possível migração de recursos do consumo tradicional para as plataformas de apostas. No entanto, segundo o estudo citado pelo IBJR, as bets não representam um fator determinante para a retração observada em alguns segmentos do comércio.
De acordo com Gelfi, a desaceleração do varejo está mais relacionada ao cenário econômico, marcado por juros elevados, crédito caro e alto nível de endividamento das famílias.
“O que vemos é uma redistribuição da verba destinada ao entretenimento. O consumidor escolhe diferentes formas de lazer, e as apostas passaram a fazer parte desse conjunto de opções”, explicou.
O executivo acrescentou que atribuir os desafios do varejo exclusivamente às apostas ignora uma série de variáveis econômicas que afetam o consumo no país. Em sua avaliação, o setor acabou se tornando um “bode expiatório” para explicar dificuldades que possuem causas mais amplas.
Regulamentação fortalece mecanismos de proteção ao consumidor
Gelfi também destacou o papel da regulamentação federal das apostas de quota fixa, implementada recentemente no Brasil, como ferramenta essencial para reduzir riscos e promover práticas de Jogo Responsável.
Segundo ele, as novas exigências representam um avanço importante para a proteção dos consumidores e para a construção de um mercado sustentável no longo prazo.
Entre as obrigações impostas aos operadores licenciados estão a proibição do uso de cartões de crédito para apostas, mecanismos de monitoramento de comportamento, identificação de perfis de risco, limites de gastos e ferramentas de autoexclusão.
Além disso, as empresas autorizadas precisaram investir em sistemas de compliance, segurança e transparência de dados, elementos que representam pilares fundamentais da nova estrutura regulatória brasileira.
Mercado ilegal segue como principal preocupação da indústria
Embora o setor regulado tenha passado a operar sob regras mais rigorosas, o IBJR alerta que o mercado ilegal continua representando um dos maiores desafios para a indústria brasileira de apostas.
De acordo com estimativas citadas pelo executivo, plataformas clandestinas movimentam cerca de R$ 40 bilhões por ano sem cumprir exigências regulatórias, tributárias ou de proteção ao usuário.
“O mercado ilegal não segue regras, não possui mecanismos de Jogo Responsável, não paga impostos e não oferece proteção ao consumidor”, afirmou.
Na avaliação do instituto, restrições excessivas impostas aos operadores licenciados podem estimular a migração de apostadores para sites não autorizados, reduzindo a eficácia das políticas públicas voltadas à proteção dos usuários e ao fortalecimento do mercado legal.
O combate às operações ilegais é visto pelo setor como uma etapa essencial para garantir que os consumidores tenham acesso a ambientes seguros e supervisionados.
Dados representam oportunidade para ampliar o debate
Ao comentar os resultados do estudo, Gelfi reforçou que as apostas devem ser encaradas exclusivamente como uma forma de entretenimento.
“O jogo deve ser visto como diversão, nunca como investimento ou solução financeira”, destacou.
Para o dirigente, os dados representam uma oportunidade para ampliar o debate sobre o papel das apostas na economia e no entretenimento contemporâneo, com base em evidências e não apenas em percepções.
O IBJR recomenda que os consumidores utilizem apenas operadores autorizados pelo Governo Federal, identificados pelo domínio “.bet.br”, como forma de garantir acesso às proteções previstas no marco regulatório brasileiro e aos mecanismos de Jogo Responsável exigidos pela legislação vigente.
Categoría:Gaming
Tags: Sin tags
País: Brasil
Región: Sudamérica
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