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Gaming

Casas de apostas divergem sobre liberação de bets para beneficiários do Bolsa Família

Segunda-feira 19 de Janeiro 2026 / 12:00

2 minutos de lectura

(Brasília).- A decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu temporariamente a exigência de bloqueio automático de beneficiários de programas sociais nas plataformas de apostas online, expôs divergências claras dentro do próprio mercado regulado de bets no Brasil.

Casas de apostas divergem sobre liberação de bets para beneficiários do Bolsa Família

O debate sobre o acesso de beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) às apostas online ganhou novos contornos após decisão do ministro Luiz Fux, que atendeu parcialmente a um pedido da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL). A medida, válida desde 19 de dezembro, liberou a manutenção de contas já existentes, mas manteve a proibição de novos cadastros até a audiência de conciliação marcada para 10 de fevereiro.

A suspensão temporária da determinação da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda — que havia imposto o bloqueio total a partir de outubro — não foi recebida de forma unânime entre as operadoras. Enquanto parte do setor vê a restrição como um estímulo ao mercado ilegal, outras empresas defendem o bloqueio como pilar das políticas de jogo responsável.

ANJL critica bloqueio e alerta para avanço do mercado ilegal

Para a ANJL, que representa 29 casas de apostas, entre elas Esportes da Sorte e Aposta Ganha, a proibição indiscriminada não protege os beneficiários e acaba favorecendo operadores não autorizados.

“Bloquear indiscriminadamente todos os beneficiários é uma medida que extrapola os limites estabelecidos pela Corte. A proibição para beneficiários de programas sociais somente amplia o problema. Ao invés de protegê-los, a medida beneficia o mercado ilegal, sem mecanismos de jogo responsável e fora do alcance da fiscalização”, afirmou a entidade em nota.

O CEO da Esportes Gaming Brasil, Darwin Filho, reforçou esse posicionamento ao classificar a restrição como excessiva. Segundo ele, trata-se de “uma atitude temerária e autoritária, que tolhe o direito do cidadão de acessar um serviço regulado”. O executivo acrescentou: “Mais do que uma questão normativa, estamos diante de um precedente perigoso: a interferência do Estado na liberdade e na autonomia individual”.

De acordo com a ANJL, pesquisa encomendada pela associação indica que 45% dos beneficiários continuariam apostando mesmo com o bloqueio, migrando para plataformas ilegais.

Betano e Flutter defendem cautela e reforço do jogo responsável

Na outra ponta do debate está a Betano, líder do mercado brasileiro de apostas e não associada à ANJL. A empresa optou por manter o bloqueio aos beneficiários de programas sociais, mesmo após a decisão do STF. Para a operadora, a medida faz parte de uma estratégia de proteção à saúde financeira e mental dos usuários.

“Proteger o mercado regulado se reflete também no equilíbrio entre o acesso ao entretenimento e a proteção econômica e social. Por isso, mantemos tecnologias rigorosas de monitoramento para assegurar que programas de transferência de renda, essenciais para a dignidade das famílias, não sejam desviados de sua finalidade”, declarou Guilherme Figueiredo, diretor de Relações Institucionais da Betano no Brasil.

A Flutter Brazil, que controla Betnacional e Betfair, também afirmou cumprir integralmente as determinações judiciais. “A Flutter Brazil segue todas as determinações legais e regulatórias e ajusta suas operações de forma imediata conforme decisões das autoridades. Com a suspensão temporária definida pelo STF, a empresa seguiu a decisão e manteve o bloqueio para novos cadastros de beneficiários, conforme estabelecido”, informou a companhia, destacando ainda a adoção de “protocolos rigorosos de segurança” e a proibição do uso de cartões.

Mercado regulado em busca de equilíbrio

A controvérsia evidencia um dos principais desafios do mercado brasileiro de apostas: equilibrar inclusão, proteção social e combate ao jogo ilegal dentro de um ambiente regulado ainda em consolidação. Enquanto a audiência de conciliação no STF não ocorre, o setor segue dividido entre a defesa da liberdade de acesso a plataformas licenciadas e a adoção de restrições adicionais como instrumento de jogo responsável.

 

Categoría:Gaming

Tags: Sin tags

País: Brasil

Región: Sudamérica

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