Gaming

Sem estouro da bolha, apostas entram em fase de ajuste e reduzem presença nos patrocínios do futebol brasileiro

Sexta-feira 16 de Janeiro 2026 / 12:00

⏱ 3 min de lectura

(Brasília).- Em coluna assinada por Rodrigo Capelo para o jornal brasileiro Estadão, o início de 2026 expõe um novo momento do mercado de apostas no Brasil: menos marcas estampadas nas camisas dos clubes da Série A, não por colapso do setor, mas por um processo claro de consolidação e reorganização estratégica.

Sem estouro da bolha, apostas entram em fase de ajuste e reduzem presença nos patrocínios do futebol brasileiro

O fato de clubes tradicionais como Coritiba, Grêmio, Internacional, Santos e Vasco iniciarem 2026 sem patrocínios de casas de apostas reacendeu o debate sobre um possível “estouro da bolha” das bets no futebol brasileiro. A comparação com 2025 — quando todos os clubes da Série A exibiam marcas do setor — torna a mudança ainda mais visível. No entanto, segundo análise de Rodrigo Capelo, o cenário está longe de indicar um colapso generalizado.

O diagnóstico é direto: não há quebradeira em massa nem calotes generalizados. O que se observa é um mercado em fase de seleção natural, com menos espaço para dezenas de marcas competindo simultaneamente. Hoje, o Brasil conta com 82 empresas autorizadas a operar legalmente, somando 183 marcas, além de outras três companhias liberadas por decisões judiciais. “Está óbvio para todo o mercado que não haverá consumidor e dinheiro para tanta gente. Ficarão no jogo só as maiores”, aponta o colunista.

Consolidação no lugar de retração

A percepção mais cautelosa aparece nas negociações de patrocínio. Intermediários relatam maior resistência das casas de apostas a contratos que, até pouco tempo atrás, seriam fechados com facilidade. Ainda assim, especialistas do setor rejeitam a ideia de retração estrutural.

Marcelo Damato, que deixou recentemente a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, resume o momento: “O mercado vai se consolidar, mas não vai retrair em um horizonte de muitos anos. O brasileiro está descobrindo as apostas”, afirma.

Os números dos grandes clubes reforçam essa leitura. O Flamengo ampliou seu acordo anual de R$ 117,5 milhões para R$ 268,5 milhões ao trocar de patrocinador. O Corinthians elevou seu contrato para R$ 150 milhões por ano, enquanto Palmeiras, São Paulo e outros gigantes seguem com acordos na casa dos R$ 100 milhões. Ou seja, o dinheiro não saiu do sistema — apenas passou a circular entre menos players.

Estratégias, trocas e rupturas pontuais

Em alguns casos, a saída das bets não significa abandono do futebol, mas mudança de foco. O Cruzeiro, por exemplo, trocou a Betfair pela Betnacional, ambas do mesmo grupo internacional, a Flutter, que decidiu priorizar uma marca mais alinhada ao público brasileiro. Situação semelhante pode ocorrer com o Vasco, cuja diretoria tentou renegociar valores, sem sucesso.

Outros clubes sofreram impactos por decisões estratégicas das empresas, como Coritiba e Bahia, cujos patrocinadores optaram por concentrar esforços no ambiente digital. Já no caso de Grêmio e Internacional, a ruptura com a Alfa.bet se aproxima mais do estereótipo de “bolha”, com atrasos de pagamento e contratos rescindidos após problemas internos da companhia — episódio tratado como exceção no contexto geral.

Bernardo Cavalcanti Freire, sócio do escritório Betlaw e consultor jurídico da ANJL, sintetiza o cenário com clareza: “Não é uma bolha. É uma reorganização. Os valores que algumas empresas estavam pagando, elas não conseguiam. Ainda vai se manter forte o patrocínio das bets, mas um patrocínio assertivo”.

Copa do Mundo e disputa por verbas

Outro fator que pesa em 2026 é a Copa do Mundo. Casas de apostas passaram a direcionar investimentos para cotas de patrocínio e publicidade nas emissoras que transmitirão o torneio no Brasil, como Globo, CazéTV, N Sports e SBT. Grupos como Bet365, KTO e Esportes da Sorte já fecharam acordos nesse ambiente, reduzindo a verba disponível para clubes.

O retrato final, como destaca Rodrigo Capelo em sua coluna no Estadão, é de um setor que amadurece. Algumas empresas conseguem elevar investimentos, outras ajustam expectativas e estratégias, e algumas inevitavelmente ficarão pelo caminho. Ainda assim, tudo indica que o mercado brasileiro de apostas atravessa uma consolidação do meio — não o começo do fim.

Categoría:Gaming

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País: Brasil

Región: Sudamérica

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