Legislacion

Argentina bloqueia o acesso à Polymarket e estabelece um precedente regulatório na América Latina

Terça-feira 17 de Março 2026 / 12:00

⏱ 3 min de lectura

(Buenos Aires).- A Justiça da Cidade de Buenos Aires ordenou o bloqueio total da plataforma de previsões Polymarket na Argentina por operar sem autorização, em uma decisão que reforça o controle sobre o jogo online e posiciona o país como o primeiro da América Latina a restringir esse tipo de mercado.

Argentina bloqueia o acesso à Polymarket e estabelece um precedente regulatório na América Latina

A ofensiva regulatória contra plataformas não autorizadas

A Argentina deu um passo relevante na regulação do jogo online ao bloquear o acesso à Polymarket, considerada a maior plataforma global de mercados de previsão. A medida foi determinada pelo Juizado PCyF 31, sob responsabilidade da juíza Susana Parada, após uma investigação conduzida pelo Ministério Público Fiscal da cidade.

O processo teve início a partir de uma denúncia apresentada pela Loteria da Cidade de Buenos Aires, que identificou que a plataforma operava sem licença no país. A investigação foi liderada pelo promotor Juan Rozas, responsável pela Promotoria Especializada em Jogos de Azar (FEJA).

Como resultado, foi ordenado o bloqueio do site em todo o território nacional, assim como a remoção de seus aplicativos das lojas da Google e da Apple, afetando tanto novos usuários quanto contas já existentes na Argentina.

Mercados de previsão sob escrutínio regulatório

De acordo com as autoridades, a Polymarket operava sob a aparência de um mercado financeiro, mas com uma lógica equivalente à das apostas online. A plataforma permite que usuários invistam em resultados futuros — desde eleições até eventos esportivos ou econômicos — por meio de posições de “Sim” ou “Não”, cujos preços variam conforme a oferta e a demanda.

O Ministério Público Fiscal concluiu que o sistema apresenta elementos típicos de jogos de azar: dinheiro em risco, incerteza quanto ao resultado e possibilidade de ganhos ou perdas. A isso se somam fatores de risco relevantes para a regulação, como o uso de criptomoedas, a possibilidade de operar com cartões de crédito e a ausência de controles de identidade e idade.

Segundo o relatório oficial, essas condições permitiam o acesso irrestrito inclusive por menores de idade, o que reforçou o argumento de ilegalidade e risco para os usuários.

Coordenação institucional e apoio do setor

A investigação contou com o apoio técnico do Corpo de Investigações Judiciais e a colaboração da Associação de Loterias Estatais da Argentina, que confirmou que a plataforma não estava autorizada em nenhuma jurisdição do país.

Além disso, a Câmara Argentina de Salas de Cassinos, Bingos e Anexos apresentou uma denúncia independente, fornecendo informações sobre a operação irregular e a ausência de controles regulatórios, em linha com as preocupações do setor formal de jogos.

Para executar a medida, o Ente Nacional de Comunicações foi instruído a implementar o bloqueio por meio dos provedores de internet, consolidando uma abordagem integrada entre reguladores, justiça e atores da indústria.

Impacto internacional e contexto global

A decisão posiciona a Argentina como pioneira na América Latina na restrição desse tipo de plataforma, embora não seja um caso isolado em nível global. Países como França, Bélgica, Singapura e Austrália já adotaram medidas semelhantes contra mercados de previsão não regulamentados.

Em contraste, o cenário nos Estados Unidos tem sido mais volátil. Após as eleições presidenciais de 2024 — nas quais a Polymarket acertou o resultado favorável a Donald Trump — a plataforma enfrentou investigações do Federal Bureau of Investigation e tensões regulatórias com a Commodity Futures Trading Commission.

No entanto, o contexto político posterior favoreceu uma mudança de postura, e a empresa recebeu forte respaldo do mercado quando a Intercontinental Exchange anunciou um investimento estratégico de US$ 2 bilhões, reforçando sua legitimidade em determinados ambientes.

Um precedente para a região

O bloqueio da Polymarket na Argentina estabelece um precedente importante para a indústria de jogos na América Latina, em um momento em que a expansão do iGaming e novas verticais — como os mercados de previsão — desafiam os marcos regulatórios tradicionais.

Para operadores e reguladores, o caso evidencia a crescente necessidade de definir limites claros entre inovação financeira e jogos de azar, além de fortalecer mecanismos de controle sobre plataformas digitais que operam sem licença em mercados emergentes.

 

Categoría:Legislacion

Tags: Sin tags

País: Argentina

Región: Sudamérica

Eventos

PERU GAMING SHOW – PGS 2026

17 de Junho 2026

Capacitação e jogo responsável: chaves para a indústria de jogos em PGS 2026

(Lima, Exclusivo SoloAzar).- A importância da capacitação, da prevenção e das ferramentas tecnológicas para promover o jogo responsável foram os principais eixos da conferência “O Valor do Jogo Responsável nas Operações de Jogos de Azar”, apresentada durante o Peru Gaming Show (PGS) 2026 por Fernando Calderón Castro, presidente da Sociedade Nacional de Jogos de Azar (SONAJA). O encontro reuniu representantes da indústria para analisar os desafios atuais do setor e as estratégias necessárias para garantir operações mais seguras, transparentes e sustentáveis.

Quarta-feira 22 Jul 2026 / 12:00

LSports no Peru Gaming Show: fortalecendo presença e abrindo novas oportunidades

(Lima, Exclusivo SoloAzar).- O Peru Gaming Show nunca foi apenas sobre o estande. Para a LSports, o objetivo era marcar presença em um mercado onde estar presente ainda faz a diferença — e sair do evento com muito mais do que uma lista de contatos. Federico Brancato, Gerente de Vendas para a região LATAM, chegou a Lima com uma visão clara sobre o que os operadores desta parte da América Latina mais precisam neste momento. O que encontrou confirmou essa percepção.

Sexta-feira 17 Jul 2026 / 12:00

Regulamentação e mercado ilegal na América Latina: desafios e soluções

(Lima, Exclusivo SoloAzar).- No âmbito das conferências do Peru Gaming Show (PGS) 2026, importantes representantes da indústria de jogos analisaram um dos principais desafios enfrentados atualmente pelos mercados regulamentados da América Latina: o crescimento do jogo ilegal. O painel "Regulamentação e mercado ilegal: desafios e soluções" reuniu Carlos Fonseca, CEO da Gaming Law, como moderador; Neil Montgomery, sócio fundador da Montgomery & Associados; Tatiana Vásquez, sócia fundadora da Vázquez Asociados; Karen Sierra Hughes, vice-presidente para a América Latina, Caribe e Espanha da GLI; e Vanessa Cabrera, diretora da Direção de Controle e Sanção da DGJCMT-MINCETUR. Os participantes debateram as causas do mercado ilegal, as ferramentas regulatórias disponíveis e as estratégias para fortalecer a canalização dos jogadores para o mercado regulado na região.

Quarta-feira 15 Jul 2026 / 12:00

SUSCRIBIRSE

Para suscribirse a nuestro newsletter, complete sus datos

Reciba todo el contenido más reciente en su correo electrónico varias veces al mes.