Legislacion

Brasil: Ministério de Alckmin rebate relatórios sobre o impacto dos jogos de azar no varejo e na dívida

Quinta-feira 10 de Outubro 2024 / 12:00

⏱ 3 min de lectura

(Brasília) - Em nota técnica, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do governo Lula (PT) afirma que os gastos com apostas esportivas online, ou jogos de azar, não causaram queda no varejo não levaram ao aumento do endividamento da população.

Brasil: Ministério de Alckmin rebate relatórios sobre o impacto dos jogos de azar no varejo e na dívida

O documento foi elaborado pelo ministério comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) a pedido da AGU (Advocacia-Geral da União). A solicitação ocorreu por causa de ação no STF (Supremo Tribunal Federal) que pede suspensão da lei de bets. A pasta também questiona conclusões do Banco Central sobre gastos de famílias com as apostas.

O setor está em fase de regulamentação pelo governo Lula, tocada pela equipe do ministro Fernando Haddad (Fazenda).

A ação foi iniciada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). A entidade diz que a expansão das apostas no Brasil tem desencadeado o endividamento das famílias e prejudicado consideravelmente a economia doméstica, o comércio varejista e o desenvolvimento social.

Já no documento do Ministério do Desenvolvimento, o argumento é de que os dados de comércio no país não permitem identificar uma desaceleração do setor. A nota técnica, assinada na última sexta-feira (4), traz dados sobre o desempenho do setor varejista.

"Os dados disponibilizados pelo IBGE indicam que o comércio no Brasil está em crescimento, com as vendas no varejo apresentando as seguintes variações: Em julho de 2024, as vendas cresceram 0,6% em relação a junho. No primeiro semestre de 2024, o comércio varejista acumulou alta de 5,3%. Nos últimos 12 meses até julho, o comércio varejista acumulou alta de 3,7%".

Na nota técnica, o Desenvolvimento também afirma que "é ainda mais complexo atribuir qualquer variação nos resultados do setor aos gastos em apostas e jogos de azar", questionando, inclusive, dados apresentados pelo Banco Central em nota enviada ao senador Omar Aziz (PSD-AM).

A nota do Banco Central causou forte repercussão dentro do governo, no setor varejista e no Congresso. O documento concluiu que somente em agosto os beneficiários do Bolsa Família teriam transferido R$ 3 bilhões às bets em pagamentos via Pix. Ao longo deste ano, os valores mensais de transferência bruta para bets variaram entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões.

O ministério do governo Lula questiona essas conclusões, indicando dificuldades com o cadastro correto de atividades econômicas dos sites. "Tais valores representam valores brutos das apostas, sem considerar os prêmios pagos aos apostadores, o que resultaria em menor gasto líquido em apostas."

Questionado, o Ministério do Desenvolvimento afirma que a nota não questiona informações do Banco Central, mas "afirma apenas que, com os dados oficiais disponíveis, não é possível avaliar tecnicamente o impacto das apostas". E que, para isso, seria necessário "estudo mais abrangente, considerando ainda a interação das demais variáveis da economia".

A pasta ainda ressaltou que a questão é considerada relevante e o ministério vai acompanhar e monitorar o tema, especialmente sob a ótica dos impactos no comércio varejista —o que também é descrito na nota técnica.

Sobre endividamento das famílias, a pasta comandada por Alckmin lança mão de dados Banco Central para concluir que há estabilidade, segundo dados relacionados ao primeiro semestre.

"Observa-se certa estabilidade no endividamento das famílias com o Sistema Financeiro Nacional em relação à renda acumulada dos últimos 12 meses, passando de 48,25% em agosto de 2023 para 47,83% no início de 2024 e, finalmente, 47,93% em julho de 2024", diz o texto.

A nota foi elaborada pela Coordenação-Geral de Articulação Institucional Setorial, do Departamento de Comércio e Serviços do ministério.

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País: Brasil

Región: Sudamérica

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