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Repensando a Liderança no Gaming: Kate Chambers fala sobre Poder e Tomada de Decisão no Dia Internacional da Mulher

Segunda-feira 09 Março 2026 / 12:00

Por Andrea López Aguerriberry

2 minutos de lectura

(Londres, Exclusivo SoloAzar).- Nesta entrevista, a fundadora do The Gambling Boardroom analisa padrões de liderança, cultura de risco e barreiras estruturais, além de compartilhar uma mensagem para a nova geração de mulheres no setor de jogos.

Repensando a Liderança no Gaming: Kate Chambers fala sobre Poder e Tomada de Decisão no Dia Internacional da Mulher

Esta entrevista faz parte de uma série realizada pela SoloAzar durante o Mês da Mulher, com o objetivo de explorar a visão e as tendências da indústria de jogos a partir da perspectiva de mulheres de destaque.

O Dia Internacional da Mulher oferece à indústria de jogos uma oportunidade de reflexão honesta, em vez de uma celebração simbólica. Apesar dos frequentes compromissos públicos com a inclusão, o progresso real muitas vezes estagna quando as decisões se tornam comercial ou politicamente desconfortáveis.

Nesta sessão de perguntas e respostas com a SoloAzar, Kate Chambers, fundadora do The Gambling Boardroom, explora como os padrões de liderança, a cultura de risco e as barreiras estruturais continuam a moldar o setor — e por que fortalecer o julgamento, e não apenas a inovação, é essencial para o futuro. Ela também compartilha uma mensagem clara para a próxima geração de mulheres determinadas a liderar em um dos ambientes mais complexos da indústria.

O que o Dia Internacional da Mulher significa para você e como você acredita que ele repercute dentro da indústria de jogos?

O Dia Internacional da Mulher é útil quando promove uma reflexão honesta, em vez de celebração. Na indústria de jogos, não faltam declarações sobre inclusão, mas o progresso tende a desacelerar quando as decisões se tornam comercial ou politicamente desconfortáveis. É nesses momentos que os padrões de liderança e influência ficam mais claramente expostos.

A indústria opera sob constante pressão regulatória e reputacional, o que frequentemente leva a decisões mais conservadoras. Nessas circunstâncias, a liderança tende a se concentrar em perfis já conhecidos. O Dia Internacional da Mulher ganha relevância porque destaca essa tensão, não como uma acusação, mas como uma realidade que a indústria ainda precisa enfrentar de forma mais aberta.

Olhando para trás, quais conquistas como fundadora do The Gambling Boardroom você considera mais influentes para moldar o setor?

A conquista mais significativa foi criar uma plataforma que prioriza o julgamento em vez da performance. Grande parte do diálogo público da indústria se concentra em resultados, anúncios e histórias de sucesso, mas muito menos atenção é dada ao processo de reflexão que ocorre antes das decisões serem tomadas.

O The Gambling Boardroom foi criado justamente para preencher essa lacuna. Ao focar nas pressões, nos dilemas e nas incertezas que líderes seniores enfrentam — especialmente em ambientes regulados — a plataforma influenciou a forma como alguns executivos abordam risco, responsabilidade e prestação de contas na liderança. Essa influência nem sempre é visível externamente, mas se reflete em conversas internas mais qualificadas.

Quais são seus principais objetivos e projetos para 2026 em relação à inovação e à liderança feminina no gaming?

Para 2026, o foco está em fortalecer a tomada de decisões, em vez de introduzir novidades apenas por si mesmas. A inovação no gaming costuma ser associada à tecnologia, mas muitos dos desafios mais persistentes da indústria estão ligados à forma como as organizações avaliam riscos, interpretam regulações e respondem à pressão.

Os projetos em desenvolvimento estão centrados em estruturas práticas e em debates de nível executivo que apoiem um julgamento mais claro em ambientes complexos. Isso inclui trabalhos relacionados a risco tecnológico, governança e cultura organizacional.

No que diz respeito à liderança feminina, a prioridade é o avanço e a retenção de mulheres em cargos de alto nível. A indústria não carece de mulheres capacitadas; o que falta são estruturas que tornem a liderança sênior sustentável ao longo do tempo, especialmente quando a pressão aumenta.

Que mensagem você gostaria de compartilhar com a próxima geração de mulheres que desejam construir uma carreira na indústria de jogos?

– Encarem a indústria com clareza sobre como poder e responsabilidade funcionam na prática. A progressão na carreira não depende apenas do desempenho; depende também de quem é considerado confiável quando as decisões envolvem risco.

– Busquem ambientes onde o julgamento seja valorizado e onde o desacordo seja possível. Tenham cautela com organizações que falam com confiança sobre inclusão, mas têm dificuldade em sustentá-la quando as condições se tornam mais difíceis.

– Mais importante ainda: não subestimem sua capacidade de atuar no centro da complexidade. A liderança nesta indústria é exigente, mas é moldada pelas escolhas que as pessoas fazem muito antes de se sentirem prontas.

– Nem sempre será dada permissão para liderar, e esperar por ela raramente é uma postura neutra. Avancem de forma deliberada, mas não reduzam seus padrões para se adaptar a ambientes que não estão dispostos a mudar. Longevidade não é o mesmo que influência — e é na influência que o progresso realmente acontece.

 

Categorias: Exclusiva

Tags: Sem rótulos

Region: Europa

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