Especialista defende regular o design das plataformas de bets
Quarta-feira 22 de Julho 2026 / 12:00
⏱ 3 min de lectura
(São Paulo).- Em uma coluna de opinião publicada no Valor Investe, o economista Hudson Bessa argumenta que a próxima etapa da regulamentação do mercado brasileiro de apostas deve ir além da publicidade e alcançar o próprio design das plataformas de bets. Segundo o especialista, a arquitetura dessas interfaces é desenvolvida para explorar vieses cognitivos e emocionais, favorecendo o engajamento contínuo dos usuários e aumentando os riscos de dependência.
Coluna propõe ampliar o debate sobre a regulação das bets
No artigo, Hudson Bessa avalia que as medidas adotadas recentemente pelo Brasil para disciplinar a publicidade das apostas esportivas representam um avanço, mas não são suficientes para enfrentar os desafios do setor.
Na visão do economista, o foco regulatório deve migrar para a estrutura das plataformas digitais, seguindo uma discussão que, segundo ele, já vem sendo desenvolvida em mercados regulados com maior experiência no segmento.
Especialista aponta o design das plataformas como novo desafio
Ao longo da coluna, o autor sustenta que os mecanismos utilizados pelas plataformas de apostas são projetados para estimular o comportamento recorrente dos apostadores.
Arquitetura das plataformas favorece o engajamento
Segundo Bessa, incentivos como bônus de boas-vindas, pagamentos imediatos de prêmios, funcionalidades de cash out e processos simplificados de depósito reduzem as barreiras para apostar e reforçam ciclos contínuos de utilização.
Na avaliação do economista, o funcionamento dessas ferramentas se aproxima do modelo adotado por outras plataformas digitais voltadas à captura da atenção dos usuários.
Artigo cita experiências internacionais
O colunista observa que diversos países já vêm ampliando suas políticas de controle sobre o setor de apostas.
Entre os exemplos mencionados estão:
- Austrália, com restrições à publicidade durante eventos esportivos e proibição de bônus promocionais oferecidos por operadores;
- Inglaterra, onde clubes da Premier League decidiram retirar marcas de casas de apostas da parte frontal de seus uniformes a partir da temporada 2026/2027;
- Iniciativas regulatórias também adotadas por países como Itália, Espanha e Alemanha.
Segundo o autor, essas experiências demonstram que as limitações à publicidade representam apenas uma primeira etapa da regulamentação.
Artigo destaca estudo sobre comportamento dos apostadores
Para reforçar sua análise, Hudson Bessa cita um artigo publicado pelo professor Flavio Ataliba Barreto, da FGV IBRE, intitulado "Bets não vendem apostas, vendem decisões".
O especialista reproduz um trecho da pesquisa:
"As plataformas de apostas esportivas conseguem manter usuários em ciclos persistentes de engajamento mesmo diante de perdas recorrentes. Argumenta-se que o fenômeno decorre menos de características individuais (...) e mais da arquitetura econômica das plataformas, deliberadamente desenhadas para explorar vieses cognitivos previsíveis."
Segundo Bessa, essa visão ajuda a compreender como o design das plataformas pode influenciar o comportamento dos usuários e contribuir para padrões repetitivos de apostas.
Opinião defende evolução da regulamentação
Na parte final da coluna, o economista compara o funcionamento das plataformas de apostas ao das redes sociais, afirmando que ambas utilizam mecanismos destinados a ampliar o tempo de permanência e o nível de engajamento dos usuários.
Em sua avaliação, os governos ainda estão atrasados na regulamentação da chamada "economia das plataformas" e precisarão discutir, nos próximos anos, normas que contemplem não apenas a publicidade das bets, mas também a forma como esses ambientes digitais são concebidos.
A coluna, publicada pelo Valor Investe, apresenta a opinião do especialista sobre os desafios regulatórios do mercado de apostas no Brasil e contribui para o debate sobre possíveis caminhos para o aperfeiçoamento das políticas públicas voltadas ao setor.
Categoría:Análisis
Tags: Sin tags
País: Brasil
Región: Sudamérica
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