Legislacion

115 plataformas de jogos de azar não licenciadas são bloqueadas no Rio de Janeiro, gerando polêmica jurídica

Quarta-feira 10 de Julho 2024 / 12:00

⏱ 4 min de lectura

(Rio de Janeiro).- Na semana passada, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) cumpriu a liminar emitida pelo juiz Pablo Zúñiga Dourado em 29 de junho e pediu às operadoras de telefonia que bloqueassem 115 plataformas que operam no Rio de Janeiro sem licença da Loterj.

115 plataformas de jogos de azar não licenciadas são bloqueadas no Rio de Janeiro, gerando polêmica jurídica

Atualmente, apenas cinco casas de apostas estão licenciadas na no Rio: Apostou RJ, BestBet, MajorSports, Rio Jogos e PixBet — que juntas, até mês passado, já pagaram mais de R$ 2,3 bilhões em prêmios para os apostadores, segundo a Loterj.

A Advocacia Geral da União (AGU) recorreu, nesta segunda-feira, da liminar do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF1), que determinou o bloqueio de mais de cem casas de apostas online no Rio, sob o argumento de que as empresas precisariam de autorização da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) para operar localmente. No documento, a AGU argumenta que a regulamentação do mercado de apostas é de competência do governo federal.

Em 2023, a Loterj publicou um edital de credenciamento, onde estabeleceu uma série de normas para que empresas operadoras de apostas online atuem no estado, mediante o pagamento de outorga no valor de R$ 5 milhões, mais 5% ao mês do Gross Gaming Revenue (GGR), o faturamento menos os prêmios pagos aos jogadores.

O valor é bem menor que a outorga de R$30 milhões estabelecida pelo Ministério da Fazenda, que trabalha na regulamentação do mercado. O imposto cobrado sobre o GGR também será mais elevado pelas normas federais, de 12%.

Embora outros estados estejam seguindo o mesmo caminho e criando regras internas para empresas do mercado, o Rio é o único a credenciar plataformas para que operem em outros lugares do país.

Isso abre margem para que empresas optem pela regulamentação local e paguem outorga menor, em vez de entrarem com pedido de autorização na Secretaria de Prêmios e Apostas (SPB), vinculada ao Ministério da Fazenda.

Segundo o plano do governo, as operadoras de apostas online podem seguir atuando até 31 de dezembro, prazo máximo para entrar com o pedido de autorização e demonstrar o cumprimento das exigências estabelecidas pelas leis e portarias. O mercado regulado passa a valer em 1º de janeiro de 2025.

Procurada, a Loterj disse que a operação regularizada contribui para a arrecadação pública. Segundo a Loteria, a cada R$1 arrecadado pelo estado em impostos, cerca de R$8 são recolhidos pela União.

“Almejamos que o Ministério da Fazenda defina com a maior brevidade as regras de exploração no país para que estados e União possam atuar de forma coesa em prol do jogo responsável no país”, concluiu em nota.

O que dizem as 'bets'

André Gelfi, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), diz que o episódio desafia a autoridade do governo federal e fomenta a insegurança jurídica. Para ele, o caso prejudica um setor que está se consolidando e tem perspectiva de arrecadação superior a R$ 1 bilhão apenas em licenças para operadores.

— Essa decisão fragiliza a indústria e ameaça a eficácia do arcabouço consolidado pela lei criada no ano passado e pelas recentes portarias do Ministério da Fazenda, que determinam que todos os operadores têm até o final deste ano para obter suas licenças de funcionamento.

Ele continua:

— Impedir que centenas de empresas possam operar no RJ gera um caso de concorrência desleal que só tem a desgastar o mercado de apostas no Brasil, afastando as empresas sérias que desejam investir no país. O instituto não tem legitimidade jurídica para recorrer à decisão do TRF1, mas recomendamos aos nossos membros que o façam, se assim quiserem.

Em nota, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa sites como PagBet e BetNacional, argumentou que a notificação da Anatel deixa milhões de jogadores sem acesso a mais de cem plataformas de apostas do dia para a noite. Disse ainda que a medida fere princípios legais básicos, como o da ampla defesa e o do direito ao contraditório.

Para Magno José Santos, presidente do Instituto Brasileiro Jogo Legal que representa o jogo físico, mas que acompanha as movimentações do mercado de apostas esportivas on-line, o impasse entre estados e União terá de ser resolvido.

— Essa disputa que acontece a nível federal e estadual gera insegurança jurídica grande. O empresário que quer investir no Brasil e aplicar uma licença fica inseguro pela falta de definição do que podem estados e União.

Procurado, o governo do estado do Rio não respondeu até a última atualização desta reportagem.

Categoría:Legislacion

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País: Brasil

Región: Sudamérica

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