Projeto avança e propõe registro de apostas em blockchain no Brasil
Terça-feira 28 de Julho 2026 / 12:00
⏱ 4 min de lectura
(Brasília).– Um substitutivo ao Projeto de Lei nº 3.523/2025 mantém a obrigatoriedade de registrar todas as apostas lotéricas, físicas e eletrônicas, em tecnologia blockchain, mas flexibiliza o modelo originalmente previsto ao permitir o uso de redes públicas, permissionadas ou híbridas. A proposta, em análise na Câmara dos Deputados, poderá impactar tanto o segmento de loterias quanto o mercado regulado de apostas de quota fixa, ao introduzir novos requisitos de rastreabilidade, transparência e governança tecnológica.
Substitutivo amplia modelos de blockchain aceitos para registrar apostas
De autoria do deputado Amom Mandel (Cidadania-AM), o projeto buscava inicialmente tornar obrigatória a utilização de uma blockchain pública para registrar todas as apostas realizadas no país. O objetivo era aumentar a transparência das operações, impedir alterações posteriores aos sorteios e permitir que qualquer cidadão acompanhasse informações sobre arrecadação, premiações e repasses sociais.
No entanto, o parecer apresentado pelo relator Daniel Almeida (PCdoB-BA) alterou esse conceito ao adotar uma abordagem de neutralidade tecnológica. O novo texto permite que operadores utilizem blockchains públicas, não permissionadas, permissionadas ou híbridas, desde que atendam aos requisitos de integridade, imutabilidade, rastreabilidade e proteção contra alterações indevidas.
A mudança teve origem em uma emenda da deputada Julia Zanatta (PL-SC), que argumentou que restringir a legislação a uma blockchain pública poderia limitar soluções tecnológicas capazes de oferecer o mesmo nível de segurança e confiabilidade.
Transparência continua obrigatória, mas acesso público será limitado
Embora preserve a exigência do registro em blockchain, o substitutivo reduz o nível de transparência originalmente previsto.
Pelo novo texto, o acesso público e irrestrito ficará restrito aos dados agregados sobre vendas de apostas, pagamento de prêmios e repasses financeiros. Já os registros individuais poderão permanecer armazenados em redes permissionadas, desde que cumpram os critérios técnicos estabelecidos futuramente pelo regulador.
Outro ponto que deverá ser esclarecido durante a tramitação é a integração entre a blockchain proposta e o Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), utilizado atualmente pelo Ministério da Fazenda para monitorar as operações das empresas autorizadas de apostas de quota fixa.
O projeto não especifica se a nova infraestrutura substituirá parte dos sistemas já existentes ou se funcionará como uma camada adicional de auditoria e controle.
Identificação por CPF deixa de ser obrigatória
Outra mudança relevante promovida pelo relator elimina a obrigatoriedade de vincular o CPF a cada aposta.
Na proposta original, a identificação do apostador serviria para comprovar a titularidade dos bilhetes premiados e fortalecer o combate à lavagem de dinheiro e à compra irregular de prêmios por terceiros.
Segundo Daniel Almeida, tornar o CPF obrigatório poderia aumentar filas nas casas lotéricas e dificultar operações como os bolões, que frequentemente envolvem diversos participantes.
Com o novo texto, a identificação passa a ser facultativa. Quando informada, poderá ser utilizada para comprovação da titularidade e pagamento do prêmio. Mesmo sem o CPF, todas as apostas deverão gerar um registro em blockchain e, no caso dos bilhetes físicos, também será criado um espelho digital.
Entretanto, essa alteração abre espaço para discussões sobre sua compatibilidade com a Lei nº 14.790/2023, que exige a identificação dos usuários nas plataformas de apostas de quota fixa, incluindo procedimentos de verificação de identidade e reconhecimento facial.
Pagamento via Pix e prevenção à lavagem de dinheiro permanecem no projeto
O substitutivo também estabelece que os prêmios sejam pagos automaticamente via Pix em até 24 horas após a homologação dos resultados, para a conta indicada pelo ganhador.
A proposta difere das regras atualmente aplicadas às bets regulamentadas no Brasil, nas quais a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) determina que os operadores realizem o pagamento em até 120 minutos após o encerramento do evento esportivo ou da sessão de jogo online, permitindo ainda que os recursos permaneçam na conta transacional do usuário para novas apostas.
Caso o projeto avance, o Congresso deverá harmonizar esses dois modelos para evitar conflitos entre a futura legislação e a regulamentação vigente.
Além disso, o texto reafirma as obrigações relacionadas à prevenção da lavagem de dinheiro. Os operadores continuarão responsáveis por identificar movimentações suspeitas e comunicar eventuais irregularidades ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Próximas etapas da tramitação
Apesar da apresentação do novo parecer, o Projeto de Lei nº 3.523/2025 ainda aguarda votação na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados. Se aprovado, seguirá para análise das comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para a indústria brasileira de jogos e apostas, a principal discussão deixa de ser apenas a adoção da tecnologia blockchain e passa a concentrar-se no nível de transparência que o modelo adotado efetivamente oferecerá. Enquanto especialistas reconhecem que redes permissionadas podem garantir integridade e rastreabilidade das operações, o debate agora gira em torno da governança da infraestrutura, do acesso às informações e da forma como operadores, reguladores e consumidores poderão auditar os registros das apostas.
Categoría:Legislacion
Tags: Sin tags
País: Brasil
Región: Sudamérica
Eventos
SiGMA North America 2026
01 de Setembro 2026
Eman Pulis avalia sucesso da SiGMA North America no México
(México, Exclusivo SoloAzar).- O fundador do SiGMA Group, Eman Pulis, avalia o sucesso da SiGMA North America no México após a edição realizada entre 1º e 3 de setembro no Centro Banamex, que reuniu cerca de 2.250 participantes para conectar os mercados de jogos da América do Norte e da América Latina e explorar oportunidades em toda a região.
Quarta-feira 16 Sep 2026 / 12:00
Gaming Platforms.Net apresenta seu inovador modelo de licenciamento na SiGMA North America
(Cidade do México, Exclusivo SoloAzar).- Rob Altamirano, CEO e Cofundador da Gaming Platforms.Net, revisa os resultados da empresa na SiGMA North America. Durante o evento, a companhia estabeleceu alianças estratégicas e apresentou suas soluções inovadoras para oferecer total autonomia tecnológica aos operadores da região.
Segunda-feira 14 Sep 2026 / 12:00
Evert Montero analisou a indústria na SiGMA North America
(Cidade do México).- No marco da SiGMA North America 2026, Evert Montero Cárdenas, presidente da Federação Colombiana de Empresários de Jogos de Sorte e Azar (FECOLJUEGOS), analisou a evolução regulatória dos mercados da América Latina e da América do Norte, os desafios para a sustentabilidade da indústria colombiana e o impacto da inovação tecnológica. Durante a cúpula, realizada de 1º a 3 de setembro no Centro Banamex, na Cidade do México, Montero também foi incluído no Hall of Game 2026.
Sexta-feira 11 Sep 2026 / 12:00
SUSCRIBIRSE
Para suscribirse a nuestro newsletter, complete sus datos
Reciba todo el contenido más reciente en su correo electrónico varias veces al mes.