Legislacion

Mais de 574 mil autoexclusões em plataformas de apostas no Brasil

Quarta-feira 27 de Maio 2026 / 12:00

⏱ 3 min de lectura

(Brasília).- O avanço do mercado regulado de apostas esportivas no Brasil começa a gerar novos indicadores sobre comportamento de jogadores e políticas de jogo responsável. Desde o lançamento da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, em dezembro de 2025, mais de 574 mil pessoas solicitaram bloqueio voluntário em operadores autorizados no país. Segundo dados do governo federal, 41% dos usuários afirmaram que recorreram à ferramenta devido à perda de controle sobre o jogo e aos impactos na saúde mental.

Mais de 574 mil autoexclusões em plataformas de apostas no Brasil

Plataforma centraliza bloqueio em operadores licenciados

A ferramenta foi criada pelo Ministério da Fazenda como parte da estrutura regulatória do mercado brasileiro de betting. O sistema permite que usuários solicitem, em uma única operação vinculada ao CPF, o bloqueio simultâneo em todas as plataformas de apostas autorizadas no país.

Além de impedir novas contas, o mecanismo também suspende o envio de publicidade direcionada relacionada a apostas esportivas e jogos online.

De acordo com os dados oficiais, cerca de 207 mil usuários apontaram problemas ligados à saúde mental como principal razão para aderir à autoexclusão.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a medida integra uma política pública mais ampla voltada à prevenção e redução de danos. “Estamos criando instrumentos modernos para enfrentar um problema contemporâneo com respostas concretas, baseadas em evidências e orientadas pela proteção da população”, declarou.

Saúde mental lidera motivos para autoexclusão

Preocupações com dados e finanças também aparecem entre usuários

Depois dos impactos emocionais e psicológicos, o segundo motivo mais citado pelos usuários foi a prevenção contra uso indevido de dados pessoais em plataformas de apostas, mencionado por 18% dos cadastrados.

Outros 13% afirmaram ter realizado a exclusão de forma voluntária e preventiva, enquanto 12% relataram dificuldades financeiras relacionadas às atividades de betting.

O levantamento também mostra forte adesão a bloqueios permanentes: 69% dos usuários optaram por autoexclusão por tempo indeterminado. Entre aqueles que escolheram um prazo específico, o período de um ano foi o mais selecionado.

Governo investe em estudo nacional sobre apostas e saúde mental

SUS terá primeira pesquisa dedicada ao tema

Como parte das medidas voltadas ao monitoramento dos impactos do setor, o Ministério da Saúde anunciou investimento de R$ 6 milhões para a realização da primeira pesquisa nacional sobre jogos, apostas e saúde mental no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

O acordo foi formalizado nesta terça-feira (26) por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED). O estudo será conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e deverá começar ainda em 2026.

A expectativa é que a pesquisa permita medir os efeitos do crescimento das apostas online no cotidiano da população brasileira e forneça subsídios para futuras políticas públicas de jogo responsável e prevenção ao jogo problemático.

SUS amplia rede de atendimento para casos ligados a betting

O governo também reforçou a estrutura de atendimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), integrada por Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Teleatendimento especializado já está em operação

Em 2026, o SUS passou a oferecer, pela primeira vez, um serviço de teleatendimento em saúde mental voltado especificamente para casos relacionados a jogos e apostas.

A iniciativa, realizada em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, recebeu investimento de R$ 2,5 milhões e possui capacidade para atender até 650 pacientes por mês.

Além disso, plataformas como Meu SUS Digital e a Ouvidoria do SUS passaram a oferecer orientação direcionada para pessoas que buscam apoio relacionado ao jogo compulsivo e ao uso excessivo de plataformas de apostas.

Autoteste digital busca identificar sinais de jogo problemático

Outra iniciativa implementada pelo Ministério da Saúde é o chamado “Autoteste do Jogo”, ferramenta digital que ajuda usuários a refletirem sobre hábitos ligados a apostas e jogos online.

O questionário não realiza diagnóstico clínico, mas identifica possíveis sinais de alerta, como irritação, ansiedade ou inquietação ao tentar interromper as apostas.

Dependendo das respostas, o sistema orienta o usuário sobre quando procurar ajuda profissional e direciona para serviços disponíveis na rede pública de saúde.

Para analistas do setor, as medidas reforçam o avanço da agenda de jogo responsável no mercado brasileiro regulado, tema que vem ganhando relevância entre operadores, reguladores e entidades internacionais da indústria de gaming.

Categoría:Legislacion

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País: Brasil

Región: Sudamérica

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