PGR considera inconstitucional lei gaúcha sobre publicidade de bets
Quinta-feira 20 de Agosto 2026 / 12:00
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(Porto Alegre).- A Procuradoria-Geral da República (PGR) considerou inconstitucional a lei do Rio Grande do Sul que estabelece restrições aos horários de veiculação de publicidade de casas de apostas esportivas. O parecer foi apresentado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, no âmbito de uma ação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
PGR questiona competência estadual para regular bets
A legislação gaúcha, sancionada em abril pelo governador Eduardo Leite, determina horários específicos para a divulgação de publicidade de apostas esportivas em meios de comunicação e plataformas digitais.
A norma também estabelece requisitos para o conteúdo dos anúncios e proíbe publicidade de bets em estádios, ginásios e outros espaços esportivos. O período de adaptação previsto pela legislação termina em 27 de agosto de 2026.
Para Paulo Gonet, porém, o Estado não teria competência para estabelecer esse tipo de regulamentação, uma vez que a disciplina da atividade de apostas e de sua publicidade compete à União.
ANJL levou a legislação ao STF
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) apresentou uma ação no STF contra a legislação estadual. O processo está sob relatoria da ministra Cármen Lúcia.
A entidade questiona a possibilidade de um estado estabelecer regras próprias para publicidade de apostas veiculada por meios de comunicação com alcance nacional.
Um dos argumentos apresentados é que uma mesma transmissão, como uma partida de futebol exibida para todo o Brasil, poderia estar sujeita a regras específicas apenas no território gaúcho.
Estado defende proteção ao consumidor
O governo do Rio Grande do Sul e a Assembleia Legislativa defenderam a validade da legislação durante a tramitação da ação. Segundo a argumentação apresentada, a norma não teria como objetivo regulamentar diretamente o mercado de apostas, mas estabelecer medidas de proteção ao consumidor.
A PGR, no entanto, avaliou que as restrições acabam criando um regime específico para a publicidade e para a atividade das empresas de apostas no estado.
Disputa pode gerar precedente para o mercado
A discussão no STF ultrapassa o caso específico do Rio Grande do Sul e pode ter impacto sobre o modelo regulatório das bets no Brasil.
A definição sobre os limites da atuação dos estados é especialmente relevante para a indústria de apostas esportivas, considerando a presença das marcas em transmissões esportivas, meios digitais e outros canais de comunicação de alcance nacional.
O julgamento poderá esclarecer até que ponto governos estaduais podem estabelecer restrições próprias à publicidade de operadores de apostas licenciados em âmbito federal.
Regulamentação da publicidade de bets em debate
A manifestação da PGR acrescenta um novo elemento à disputa jurídica sobre a publicidade das apostas esportivas no Brasil. Enquanto o Rio Grande do Sul sustenta a proteção do consumidor como fundamento da legislação, a PGR entende que a União possui competência para disciplinar a atividade.
A decisão do STF será acompanhada de perto pelo setor de jogos e apostas, especialmente por operadores, entidades representativas e empresas de mídia e publicidade que atuam no mercado brasileiro.
Categoría:Legislacion
Tags: Sin tags
País: Brasil
Región: Sudamérica
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