Legislacion

Setor de apostas regulado pode injetar até R$ 28 bilhões na economia brasileira

Segunda-feira 24 de Novembro 2025 / 12:00

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(Brasília).- Segundo um estudo inédito, o setor já acumula cerca de R$ 7,5 bilhões em capital próprio investido desde a regulamentação.

Setor de apostas regulado pode injetar até R$ 28 bilhões na economia brasileira

O setor de apostas de quota fixa desponta como um dos novos motores da economia brasileira. Um estudo inédito da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), elaborado pelas consultorias LCA e Cruz Consulting, reúne os primeiros dados consolidados do mercado após a implementação do marco regulatório, em janeiro deste ano. A pesquisa, intitulada “Panorama do mercado de apostas de quota fixa”, apresenta os impactos econômicos, sociais e esportivos decorrentes da formalização do segmento.

Segundo o levantamento, o setor já acumula cerca de R$ 7,5 bilhões em capital próprio investido desde a regulamentação. O efeito multiplicador desses recursos pode gerar até R$ 28 bilhões em demanda adicional em áreas como tecnologia, serviços financeiros, marketing e mídia esportiva. A projeção é que o mercado formal atinja, em 2025, um faturamento de R$ 36 bilhões, considerando apenas as empresas licenciadas. Atualmente, o país conta com 82 operadoras ativas e 193 marcas autorizadas, com forte concentração em São Paulo, enquanto outros estados começam a se consolidar como polos regionais de tecnologia e serviços.

Geração de empregos qualificados

A regulamentação também ampliou a criação de postos de trabalho. O setor contabiliza hoje 15,5 mil empregos, sendo 10 mil diretos e 5,5 mil indiretos, em áreas como desenvolvimento de sistemas, análise de dados, segurança cibernética, compliance, marketing e atendimento especializado.

O perfil profissional é majoritariamente qualificado: 65% dos trabalhadores têm ensino superior completo ou incompleto, e quase metade ocupa funções técnicas ou que exigem formação especializada. A remuneração média é de R$ 7 mil, mais que o dobro da média nacional (R$ 3,2 mil). A massa salarial anual chega a R$ 460 milhões, somada a R$ 87 milhões em encargos sociais. Considerando o efeito multiplicador da renda, o setor pode movimentar quase R$ 1 bilhão na economia.

O estudo calcula que a arrecadação total ligada ao mercado regulado deve alcançar R$ 9 bilhões em 2025, somando tributos federais, ISS e a contribuição de 12% sobre o faturamento bruto das operadoras (GGR). Essa contribuição específica — estimada em R$ 4,4 bilhões neste ano — tem destinação obrigatória para áreas como esporte, turismo, segurança pública, saúde, educação e seguridade social. Parte relevante da receita gerada pelo setor retorna à sociedade por meio do financiamento de serviços públicos e da infraestrutura social.

Apostas se consolidam como motor do futebol brasileiro

O levantamento também confirma o peso crescente das apostas no futebol nacional. Em 2025, 18 dos 20 clubes da Série A contam com casas de apostas como patrocinadoras máster, em contratos que totalizam cerca de R$ 1,1 bilhão por temporada.

Em muitos casos, essa receita já supera os valores obtidos com premiações esportivas, tornando-se um componente central do orçamento dos clubes. Para diversas equipes, o patrocínio das operadoras representa hoje uma fonte mais estável e significativa do que bônus por títulos ou campanhas em competições.

Mercado em consolidação

Os dados indicam que, apesar de recém-regulado, o setor opera com alto grau de formalização, forte exigência tecnológica e contribuição efetiva para a economia. A combinação de investimentos privados, empregos de alta renda, arrecadação destinada a políticas públicas e apoio ao esporte deve manter o tema no centro do debate econômico e regulatório nos próximos anos, à medida que o país avança no combate às operações ilegais e na consolidação de um marco regulatório estável.

Categoría:Legislacion

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País: Brasil

Región: Sudamérica

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