Flamengo pede ao STF participação em ação contra MP das bets
Quarta-feira 30 de Setembro 2026 / 12:00
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(Brasília).- O Flamengo solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para participar como amicus curiae da ação que questiona a Medida Provisória 1.394/26, que proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no Brasil. O clube afirma que a medida pode afetar contratos de patrocínio e comprometer receitas destinadas ao futebol feminino, categorias de base e esportes olímpicos.
Flamengo questiona impacto da MP das apostas
O pedido foi apresentado na ADIn 8.027, ajuizada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e relatada pelo ministro Luiz Fux. O Flamengo também apresentou manifestação nas ADIs 7.721, 7.723 e 7.749, que já discutem no STF o marco regulatório das apostas.
Como amicus curiae, o clube busca apresentar informações e argumentos relacionados aos efeitos econômicos da medida sobre o esporte. O pedido ocorre em meio às discussões judiciais sobre a validade da MP, que determinou o fim das operações de apostas de quota fixa no país.
A solicitação do Flamengo ainda será analisada pelo Supremo.
Contrato com a Betano está no centro da discussão
Um dos principais pontos apresentados pelo clube é o impacto sobre seu contrato de patrocínio máster com a Betano. Segundo o Flamengo, o acordo tem vigência até dezembro de 2028 e representa aproximadamente R$ 268,5 milhões por temporada.
O contrato também contempla propriedades relacionadas aos esportes olímpicos, futebol feminino, vôlei, basquete e canais próprios de mídia.
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, estima que os efeitos da MP possam representar perdas entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões para o clube em 2027. O dirigente já havia associado essa projeção à interrupção das receitas provenientes das apostas.
“Sem um preparo prévio, é absolutamente impossível que você consiga estancar essa sangria”, afirmou Baptista.
Patrocínios financiam outras modalidades
Na manifestação apresentada ao STF, o Flamengo sustenta que o impacto da perda dos contratos com empresas de apostas não ficaria restrito ao futebol masculino.
Segundo o clube, modalidades como futebol feminino, vôlei, basquete, esportes olímpicos e categorias de base dependem, em parte, da redistribuição de recursos gerados pelo futebol profissional.
O Flamengo cita especificamente seu programa de formação de atletas e a estrutura destinada à ginástica artística, mencionando atletas como Rebeca Andrade, Flávia Saraiva, Jade Barbosa e Lorrane Oliveira.
A argumentação busca relacionar o impacto econômico da MP ao dever constitucional de fomento ao esporte, previsto no artigo 217 da Constituição brasileira.
Clube questiona prazo para retirar marcas
Outro ponto levantado pelo Flamengo é o prazo de dez dias estabelecido pela MP para a retirada de materiais publicitários e sinais de patrocínio relacionados às apostas.
O clube afirma que esse período não considera a estrutura dos contratos esportivos e a quantidade de materiais produzidos antecipadamente.
As marcas de patrocinadores aparecem em uniformes, placas e painéis de estádios, centros de treinamento, ginásios, transmissões esportivas e canais próprios de mídia. Para o Flamengo, a retirada imediata desses elementos gera consequências operacionais e financeiras que precisam ser consideradas na análise da medida.
Flamengo aponta segurança jurídica dos contratos
O clube também argumenta que seus compromissos comerciais de longo prazo foram firmados sob um mercado regulado e fiscalizado pelo governo brasileiro.
No caso da Betano, o Flamengo afirma que o contrato foi aprovado em agosto de 2025, quando o mercado regulado de apostas já estava em funcionamento havia quase oito meses.
A entidade sustenta, portanto, que a mudança abrupta do marco regulatório interfere em contratos estabelecidos sob as regras anteriormente vigentes.
O argumento faz parte da manifestação apresentada ao Supremo e será considerado pelo tribunal caso o Flamengo seja admitido no processo como amicus curiae.
STF analisa ações sobre o mercado de apostas
Além da ADIn 8.027, o Flamengo informou ao ministro Luiz Fux sobre seu pedido de participação nas ADIs 7.721, 7.723 e 7.749, que também tratam do marco regulatório das apostas no Brasil.
O clube solicitou que sua manifestação seja considerada, no que couber, no julgamento conjunto dos processos e na análise da medida cautelar.
Na ADIn 8.027, o Flamengo pede que seu ingresso seja analisado com brevidade e que a petição seja recebida como sua primeira contribuição para a avaliação da cautelar.
O clube também solicitou participação em eventual audiência pública ou de conciliação.
Patrocínios de bets entram no debate jurídico
A iniciativa coloca os contratos entre clubes esportivos e empresas de apostas no centro da discussão sobre os efeitos da MP 1.394/26. O Flamengo é um dos primeiros clubes a levar diretamente ao STF os impactos comerciais decorrentes da proibição.
A análise do Supremo deverá considerar, entre outros aspectos, os argumentos apresentados pelas entidades que questionam a medida e as manifestações de organizações potencialmente afetadas pela mudança no regime das apostas.
Categoría:Otros
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País: Brasil
Región: Sudamérica
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