Jogando sob novas regras: o que os operadores de iGaming precisam saber em 2026
Segunda-feira 19 de Janeiro 2026 / 12:00
2 minutos de lectura
(Malta).- Em 2026, a indústria de iGaming enfrenta um velho paradoxo: crescimento acelerado em meio a uma regulamentação cada vez mais rígida. Cada país está criando novas leis — algumas facilitam a entrada, outras a dificultam. Para operadores, afiliados e fornecedores, o verdadeiro desafio não é apenas entrar em novos mercados, mas descobrir como permanecer rentável quando a regulamentação muda tão rapidamente.
Na EvenBet Gaming, nossa equipe jurídica — Dmitry Smirnov, advogado, e Darya Korshunova, consultora jurídica júnior — assumiu a missão de acompanhar essas mudanças em tempo real. Eles mapeiam como as novas regulações afetam as margens, alteram a dinâmica competitiva e determinam quais mercados são sustentáveis no longo prazo.
Este artigo busca colocar tudo isso em perspectiva. Analisamos as últimas atualizações regulatórias globais, destacamos as implicações práticas para os operadores e oferecemos comparações entre mercados que revelam onde estão as oportunidades e onde os riscos se multiplicam.
Brasil: o mercado que todos querem, mas poucos conseguem sobreviver
O Brasil iniciou 2024 em alta após legalizar as apostas online. Mas os operadores logo descobriram os detalhes: no Brasil, “regulado” não significa “amigável”. O Ministério da Fazenda combinou impostos e exigências de compliance em um coquetel que está comprimindo as margens e transformando o mercado mais rápido do que o esperado.
O principal número é o imposto de 18% sobre o GGR, teoricamente suportável, mas que na prática drena os orçamentos de marketing. Soma-se a isso a retenção de 15% sobre os ganhos dos jogadores, além do duplo IVA (municipal e federal), e de repente cada decimal importa. A amplamente comentada taxa de licença de R$ 30 milhões é a última barreira, obrigando operadores sérios a se comprometerem com o longo prazo, enquanto empurra os mais fracos a repensarem sua sobrevivência.
Por que as marcas médias estão em apuros
Essa elevada taxa de licença de R$ 30 milhões funciona basicamente como um muro. Operadores menores, sem grandes recursos, estão saindo do mercado ou se associando a empresas maiores. Até 2026, espera-se que muitas marcas médias desapareçam ou reapareçam como skins de marca branca sob players maiores.
Compliance como diferencial competitivo
Com as novas regras, os operadores licenciados começam a se beneficiar. Os reguladores estão intensificando a pressão sobre o mercado cinza, e os grandes players estão transformando o compliance em um selo de confiança. Mesmo com custos publicitários mais altos, vendem a ideia de serem “seguros e locais”, algo que os jogadores parecem valorizar.
Perspectivas do mercado
O Brasil continua sendo a joia da coroa do iGaming na América Latina, mas apenas os mais audazes conseguem jogar aqui. Impostos, taxas e compliance estão concentrando o mercado nas mãos de menos operadores — maiores e mais resilientes. Os vencedores serão aqueles que dominarem a disciplina financeira e a integração local.
EUA: gigantes offline versus recém-chegados digitais
Se o problema do Brasil são os impostos, nos Estados Unidos é a política. De um lado, os cassinos físicos defendem seu território; do outro, plataformas digitais buscam expansão agressiva. O campo de batalha mais recente é Black Hawk, no Colorado, onde autoridades locais alertaram que a legalização do iGaming poderia devastar a economia da cidade — menos turistas, menos empregos e uma base tributária em colapso.
O cenário pintado é sombrio: 2.050 empregos perdidos, US$ 129 milhões a menos em receitas, US$ 520 milhões retirados da atividade econômica local e US$ 830 milhões em custos para tratar jogadores problemáticos. Na visão deles, cada mão jogada online é um visitante a menos entrando no cassino. Tanto que Black Hawk se tornou o primeiro município a se juntar à National Association Against iGaming (NAAiG). E isso não é apenas o barulho de uma cidade pequena, mas uma jogada estratégica no debate nacional sobre a legalização. Os cassinos físicos rotulam o iGaming como um “assassino de empregos” para frear novas leis em todo o país.
Mudanças de impulso estado por estado
A resistência de Black Hawk já ecoa além do Colorado. Em Illinois e Indiana, legisladores — sob influência de lobbies de cassinos — estão usando os mesmos argumentos. Mesmo no Colorado, com um mercado de apostas esportivas em crescimento, a legislação sobre jogos online está travada pela pressão dos operadores tradicionais sobre os parlamentares.
Checagem da realidade
A narrativa do medo, no entanto, nem sempre corresponde aos fatos. Em Nova Jersey e Pensilvânia, os cassinos não perderam dinheiro com a chegada do iGaming. O negócio físico se estabilizou, enquanto o online abriu novas fontes de receita, especialmente entre jogadores jovens que nunca haviam pisado em um cassino. As evidências apontam para crescimento complementar, não para uma sobreposição destrutiva.
Perspectivas do mercado
O mapa do iGaming nos EUA está se curvando sob a pressão dos gigantes offline. A discussão já não é se o iGaming funciona — os dados comprovam que sim. O debate é sobre a quem os legisladores escutam: os cassinos locais ou as plataformas online que prometem receitas fiscais expressivas.
As novas regras de Malta
Malta já foi o principal destino para obter licenças de iGaming. Agora, a Malta Gaming Authority (MGA) introduziu uma estratégia regulatória baseada em risco e declarou “chega de apenas marcar caixas”. Tradução: mais foco em quem representa risco e menos tempo gasto com quem não representa. O objetivo é manter o crescimento enquanto demonstra que a ilha ainda exerce controle rigoroso.
Não é apenas aparência: maior atenção a marcas novas, voláteis ou ligadas a cripto; abordagem mais leve para veteranos com histórico impecável. Em resumo: prove que você não é o elo fraco.
Percepção do mercado
A confiança está no centro dessa estratégia. Malta busca recuperar credibilidade após sua reputação como hub de iGaming ter sido abalada por escândalos de lavagem de dinheiro e pela concorrência de jurisdições como Gibraltar e Estônia. Esse novo modelo é a forma de dizer: “continuamos sendo o principal centro de licenças — e temos tudo sob controle”.
Perspectivas do mercado
A supervisão baseada em risco exige ferramentas melhores: monitoramento em tempo real, análise de dados e motores adequados de gestão de risco. Se você tratar o compliance como um fardo, os reguladores vão pegá-lo. Se integrá-lo à estratégia, ele pode até ajudar.
Nova Zelândia: proteção ao jogador e receitas
Após anos operando em um limbo regulatório, a Nova Zelândia finalmente deixa a zona cinzenta. Um novo projeto de lei define as regras: 15 licenças, leiloadas, sob supervisão rigorosa e com proteções ao consumidor inspiradas no modelo europeu. Em outras palavras, acabou o Velho Oeste — agora querem estrutura.
O plano é claro: limitar licenças para evitar saturação, regras rígidas de redução de danos e um golpe contra sites offshore ilegais. Os reguladores ganham responsabilidade; os operadores, uma única chance de garantir um “bilhete dourado” antes que as portas se fechem. A aplicação contará com cooperação internacional, sanções a operadores sem licença e a obrigação de bancos e ISPs cortarem vínculos. É um modelo fortemente inspirado na Europa, com ênfase adicional em proteção ao consumidor e jogo responsável.
Dinâmica do leilão
A verdadeira disputa será no leilão. Com apenas 15 licenças, espera-se que gigantes como Entain, Flutter e Crown concorram agressivamente. Eles têm capital e infraestrutura para vencer. Marcas locais como SkyCity e Christchurch estão encurraladas: fortes no físico, mas sem tecnologia online e liquidez suficientes. Correm o risco de serem superadas por operadores globais que exploram economias de escala e ecossistemas prontos.
Perspectivas do mercado
Com apenas 15 bilhetes dourados, o cenário de cassinos online na Nova Zelândia será estreito e de alto risco. Os reguladores apostam em um modelo equilibrado e exportável. Para os operadores, a escolha é clara: garantir uma licença ou ficar fora do mercado mais promissor do Pacífico.
Bielorrússia: controles mais rígidos sobre jogadores e operadores
A Bielorrússia não está afrouxando — está apertando. O pacote regulatório mais recente impõe regras de identificação mais rigorosas, restrições a transações internacionais e novas obrigações aos operadores. Para os jogadores, menos anonimato; para os operadores, custos de compliance mais altos e menos alternativas.
A grande mudança é o KYC: acabou jogar com múltiplas contas ou identificações vagas. Além disso, mover dinheiro para dentro ou fora do país está mais restrito, e os operadores enfrentam novas exigências de reporte cumulativas.
Saída de operadores estrangeiros
Muitas marcas offshore estão deixando o mercado. As regras de pagamento são rígidas demais, os custos de compliance elevados, e a conta não fecha. A cada nova norma, a Bielorrússia se torna menos atrativa. Com a saída dos estrangeiros, operadores locais e empresas do Hi-Tech Park ocupam espaço. Ganharão participação, mas os jogadores pagarão o preço: menos variedade e menos inovação.
Perspectivas do mercado
Para a Bielorrússia, a estratégia é controle, não expansão. O mercado encolhe, a concorrência estrangeira recua e os operadores locais reforçam seu domínio. Para os jogadores, menos opções e mais barreiras. Para os operadores, a questão não é como vencer na Bielorrússia, mas se vale a pena continuar no jogo.
Outros países: o pulso regulatório
Nem todos os países viram manchetes, mas ajustes sutis se acumulam. Canadá, México, Colômbia, Cazaquistão, Índia — todos estão movendo peças regulatórias, apertando regras ou fechando portas. Se você opera internacionalmente, precisa saber onde os muros estão sendo erguidos.
O Canadá está proibindo anúncios com celebridades, forçando empresas como theScore e BetMGM a repensarem a aquisição de clientes. Espera-se uma migração de orçamento para conteúdo, afiliados e campanhas de fidelização. A era dourada dos outdoors chamativos e patrocínios com estrelas do hóquei parece ter acabado.
O México está reforçando a aplicação das normas de combate à lavagem de dinheiro, com relatórios mais rígidos e sanções mais duras. Operadores menores terão dificuldades; alguns sairão do mercado, e a consolidação é provável.
A Colômbia aplica um IVA de 19% sobre o jogo — e isso pesa. Os operadores precisam absorver o impacto ou repassar custos aos jogadores. O país segue líder na América Latina, mas as margens encolhem sob pressão fiscal.
O Cazaquistão cobra um imposto de 1% por aposta para financiar o esporte. Parte do custo é absorvida pelos operadores, mas odds e taxas podem ser ajustadas para reequilibrar as contas.
A Índia proibiu completamente o jogo online. Operadores internacionais tiveram de sair, planos na Ásia-Pacífico foram interrompidos e as projeções de receita despencaram. O que antes era promissor agora está fechado.
Conclusão
2025 é uma tempestade de mudanças regulatórias. O Brasil impõe impostos e compliance ao extremo; a Nova Zelândia avança com cautela na concessão de licenças de cassinos online; Malta se torna mais inteligente com a supervisão baseada em risco; e Bielorrússia e México endurecem KYC, fluxos de pagamento e controles financeiros. O jogo já não é apenas crescer, mas jogar sob regras que mudam rápido — às vezes rápido demais.
A mensagem é clara: em todos os lugares, reguladores querem regras mais duras, operadores mais responsáveis e maior vigilância sobre dinheiro e segurança dos jogadores. Isso significa custos mais altos e mais dores de cabeça de compliance, mas também um mercado mais estável e menos caótico para quem sabe operar.
Na EvenBet Gaming, acompanhamos de perto essas mudanças para manter nossos parceiros informados e preparados para o que vem por aí. O mercado está esquentando, mas adaptabilidade e preparação são o que separam os vencedores dos que ficam pelo caminho. Em nossa mais recente iGaming Industry Research, a EvenBet e especialistas do setor compartilharam suas perspectivas sobre como as mudanças regulatórias e de compliance impactarão as estratégias de operadores e fornecedores em 2026.
Categoría:Análisis
Tags: EvenBet,
País: Malta
Región: EMEA
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