Indústria intensifica pressão por nova taxação sobre bets com apoio de 50 entidades empresariais
Sexta-feira 21 de Novembro 2025 / 12:00
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(Brasília).- O debate sobre a tributação das apostas esportivas ganhou um novo capítulo nesta terça-feira, com a consolidação de 50 assinaturas no manifesto “Pela tributação das bets”, iniciativa lançada pelo Fórum Nacional da Indústria, coordenado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O documento marca a entrada definitiva da indústria brasileira no centro da disputa política e regulatória que envolve o mercado de apostas de quota fixa.
A proposta defende a criação da CIDE-Bets, um tributo com alíquota de 15% aplicada no ato da aposta, concebido como mecanismo para equilibrar a carga entre o setor produtivo — historicamente mais onerado — e o mercado digital de apostas, que, segundo os signatários, paga “muito menos impostos” em comparação aos demais segmentos da economia.
“Equilíbrio tributário” e preocupação com impacto econômico
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o apoio crescente ao manifesto reflete a inquietação da indústria com a disparidade na carga tributária.
“Nosso objetivo é garantir equilíbrio e justiça tributária para quem investe no futuro do Brasil. Enquanto o setor produtivo enfrenta uma carga elevada, o mercado de apostas digitais paga muito menos impostos e ainda drena recursos da economia real”, disse Alban.
A entidade argumenta que, com um mercado que movimenta dezenas de bilhões de reais por ano, é necessário garantir que as bets contribuam de maneira proporcional ao restante da economia — especialmente em um cenário de pressão fiscal e necessidade de financiamento de políticas públicas.
Arrecadação imediata e transição para o imposto seletivo
Se implementada ainda em 2025, a CIDE-Bets poderia gerar uma arrecadação estimada de R$ 8,5 bilhões em 2026, segundo os cálculos apresentados no manifesto.
A contribuição, porém, teria caráter transitório: a partir de 2027, seria substituída pelo imposto seletivo, já previsto na reforma tributária aprovada pelo Congresso. Esse novo tributo tem como função desestimular atividades consideradas prejudiciais à sociedade — categoria na qual parte do setor industrial e de políticas sociais tem enquadrado as apostas online.
Ferramenta regulatória contra vício e excesso de apostas
Além da arrecadação, o manifesto sustenta que a CIDE-Bets também teria efeito regulatório. Ao aumentar o custo imediato da aposta, o tributo poderia contribuir para a redução do volume apostado e do comportamento de risco associado às plataformas de betting.
A projeção apresentada pelas entidades aponta que o volume movimentado anualmente poderia cair de R$ 70 bilhões para cerca de R$ 56,6 bilhões, caso o novo imposto seja implementado como proposto. Para o Fórum da Indústria, essa retração representaria um avanço no enfrentamento ao vício e ao endividamento provocado por apostas excessivas — tema cada vez mais presente no debate político sobre o setor.
Pressão crescente sobre o Congresso
O movimento chega em um momento decisivo, com parlamentares discutindo mudanças mais amplas na tributação das bets, incluindo propostas que dobram a alíquota sobre a receita bruta de jogo e leis complementares que reorganizam o setor.
A entrada coordenada da indústria no debate amplia a pressão sobre o Congresso e sinaliza que o tema deixou de ser apenas uma questão de regulação do mercado digital para se tornar um ponto central da política econômica brasileira.
Com o manifesto ganhando força e o setor industrial alinhado em torno de um tributo específico para bets, a expectativa é de que a disputa fiscal envolvendo as casas de apostas se intensifique nas próximas semanas — tanto no Parlamento quanto dentro do próprio governo.
Categoría:Legislacion
Tags: Sin tags
País: Brasil
Región: Sudamérica
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