Brasil identifica quase 700 novas bets ilegais após proibição
Quarta-feira 30 de Setembro 2026 / 12:00
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(Brasília).- Quase 700 novos sites de apostas não autorizados surgiram no Brasil desde a sexta-feira (25), quando o governo anunciou a proibição das bets por meio de uma medida provisória. Enquanto as autoridades ampliam as ações de bloqueio e fiscalização, entidades do setor apontam o rápido surgimento de novos endereços como um desafio para conter o mercado ilegal.
Mercado ilegal de apostas cresce após proibição
O Observatório Independente que monitora o mercado brasileiro de apostas identificou a criação de quase 700 novas plataformas ilegais desde o anúncio da medida.
Segundo a plataforma Bet Legal, 58 novos sites de apostas não autorizados foram identificados logo após o anúncio da proibição, na sexta-feira (25). No sábado (26), outros 334 endereços foram registrados.
Até o início da noite de terça-feira (29), o levantamento apontava quase 700 páginas ilegais de apostas criadas desde o início da proibição.
As apostas on-line estão proibidas no país desde 25 de setembro, quase três anos depois de o governo brasileiro ter regulamentado o funcionamento do setor.
Prazo para retirada de saldos
As bets que operavam de forma autorizada poderão permanecer disponíveis até 5 de outubro exclusivamente para permitir que os apostadores retirem os valores existentes em suas contas.
Após esse prazo, os sites e aplicativos deverão deixar de operar.
Governo amplia bloqueio de bets ilegais
O governo brasileiro afirma ter criado uma força-tarefa para fiscalizar o mercado ilegal de apostas.
Em seu primeiro balanço, o Ministério da Justiça informou que solicitou o bloqueio de mais de 5,2 mil sites ilegais. O órgão também notificou duas lojas virtuais para retirar do ar 186 aplicativos de apostas até 5 de outubro.
Além disso, foram identificadas 390 páginas e perfis em redes sociais que faziam publicidade de bets ilegais. O governo solicitou a remoção desse conteúdo.
A estratégia também envolve o sistema financeiro. A medida provisória proibiu instituições financeiras de processarem transações destinadas a apostas, com o objetivo de dificultar a movimentação de recursos pelas plataformas não autorizadas.
Governo busca rastrear o dinheiro das bets ilegais
Segundo o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, a nova legislação amplia os instrumentos disponíveis para acompanhar os recursos movimentados pelo mercado ilegal.
“Nós não tínhamos instrumentos legais para ir atrás do dinheiro. A MP trouxe obrigações às instituições financeiras. O Banco Central já regulamentou duas resoluções e essas resoluções permitem que nós possamos ir atrás para onde vai o dinheiro”, afirmou.
A expectativa do governo é que as novas obrigações impostas às instituições financeiras permitam identificar o caminho dos recursos associados às operações ilegais.
ANJL questiona eficácia dos bloqueios
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) criticou a atuação do governo no combate às bets ilegais.
Segundo a entidade, dos mais de 5,2 mil sites cujo bloqueio foi solicitado pelo governo, menos da metade teve o bloqueio efetivamente determinado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A associação também apresentou dados diferentes dos levantados pelo Observatório Independente. De acordo com a ANJL, uma plataforma mantida pela entidade identificou 894 novos sites ilegais somente na segunda-feira (28).
Para a associação, o surgimento acelerado de novos endereços evidencia a dificuldade de retirar plataformas ilegais do mercado e manter os bloqueios diante da criação constante de novos domínios.
Disputa sobre o alcance da fiscalização
Os levantamentos apresentados por diferentes entidades apontam para um dos principais desafios da proibição das bets no Brasil: impedir que operadores não autorizados continuem oferecendo apostas por meio de novos endereços e canais digitais.
Ao mesmo tempo em que o governo amplia os pedidos de bloqueio de sites, aplicativos e publicidade, o surgimento de novas plataformas ilegais mantém a fiscalização como um dos principais pontos da implementação da medida.
Categoría:Legislacion
Tags: Sin tags
País: Brasil
Región: Sudamérica
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