Candidatos à Presidência do Brasil divergem sobre as bets
Terça-feira 29 de Setembro 2026 / 12:00
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(Brasília, Exclusivo SoloAzar).- A proibição das bets determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última sexta-feira (25) colocou o futuro das apostas de quota fixa no centro da disputa presidencial brasileira. Os principais candidatos apresentam posições diferentes sobre a permanência do mercado regulado, enquanto as críticas à decisão de Lula se concentram principalmente no momento escolhido para editar a Medida Provisória, apenas nove dias antes do primeiro turno.

MP de Lula interrompe mercado regulado de bets
A Medida Provisória 1.394/2026 proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no Brasil, abrangendo tanto as apostas esportivas quanto os jogos online.
A decisão foi tomada por meio de uma MP, instrumento que produz efeitos imediatamente após sua publicação, mas que ainda precisa ser analisado e aprovado pelo Congresso Nacional para permanecer definitivamente em vigor.
O governo Lula justificou a medida principalmente pelos impactos associados ao endividamento e à saúde pública, além da necessidade de combater o mercado ilegal de apostas. Para o setor de iGaming, entretanto, a mudança representa uma ruptura com o modelo regulado estruturado pelo próprio governo nos últimos anos.
A ofensiva contra as bets também passou a ocupar espaço central na campanha de Lula, que tem associado as apostas a problemas de endividamento e ao chamado Jogo do Tigrinho.

Flávio Bolsonaro diferencia bets e cassino online
Entre os principais candidatos, Flávio Bolsonaro, do PL, apresenta a posição mais distinta sobre o alcance da proibição.
O candidato afirma ser favorável ao encerramento dos cassinos online e de modalidades como o chamado Jogo do Tigrinho, mas mantém uma posição diferente em relação às apostas esportivas. Após o anúncio da MP, deixou em aberto a continuidade dos sites de apostas esportivas e defendeu uma distinção entre as duas modalidades.
Ao comentar a decisão de Lula, Flávio classificou a medida como “populista, hipócrita e eleitoreira” e questionou a adoção da proibição às vésperas da eleição. A reação foi registrada por veículos como Folha de S.Paulo e Agência Estado.
O candidato também criticou o fato de o governo ter regulamentado as apostas online antes de optar pela proibição. Em outra declaração, chamou Lula de “pai do Tigrinho”, em referência à expansão dos jogos online durante o período de regulamentação.
Assim, a posição de Flávio combina duas questões diferentes: oposição aos cassinos online e questionamento sobre a decisão de eliminar também as apostas esportivas.

Zema questiona o momento da proibição
Romeu Zema, do Novo, também criticou a decisão de Lula, mas sua posição sobre o mercado não coincide com a de Flávio Bolsonaro.
Ao comentar a MP, Zema questionou por que o governo esperou até os últimos dias antes da eleição para adotar uma medida dessa dimensão.
“Por que ele aprovou as bets lá atrás? Visando só a arrecadação, mesmo que às custas da destruição financeira das pessoas mais humildes”, afirmou durante uma agenda de campanha em Varginha.
O candidato classificou a decisão como uma “aberração eleitoral”. Ao mesmo tempo, suas declarações sobre as apostas indicam uma postura crítica em relação aos impactos do mercado, especialmente em relação ao endividamento e à dependência.
Portanto, no caso de Zema, a crítica não representa uma defesa da manutenção irrestrita das bets, mas está concentrada na condução e no momento da decisão do governo. A reação de Zema à MP foi incluída entre as manifestações de candidatos que questionaram o caráter eleitoral da medida.

Caiado afirma que já defendia o fim das bets
Ronaldo Caiado, do PSD, também se posicionou favoravelmente ao encerramento das apostas, mas contestou a forma como Lula apresentou a medida.
O candidato afirmou que a proibição das bets já fazia parte de seu programa de governo e rejeitou a ideia de que sua posição tenha surgido em reação à decisão de Lula.
“Não sou oportunista. Está no meu plano de governo”, afirmou Caiado ao defender sua proposta de encerramento das apostas.
Sua posição, portanto, apresenta uma diferença importante em relação à de Flávio Bolsonaro: Caiado não utiliza a reação à MP para defender a continuidade das apostas esportivas. Sua divergência está principalmente relacionada à oportunidade e à condução da decisão presidencial.

Renan Santos apoia a proibição, mas critica a MP
Renan Santos, do Missão, apresenta outra combinação entre posição sobre o mercado e avaliação da decisão presidencial.
O candidato afirmou ser favorável à proibição das bets, mas criticou Lula por ter editado a MP poucos dias antes das eleições. Para Renan, a medida deveria ser discutida depois do processo eleitoral.
“É só uma medida eleitoreira do Lula para fingir que se preocupa com os brasileiros que estão se endividando e ficando viciados em bet”, afirmou.
Renan também defendeu o fim das apostas online e questionou a forma como a decisão foi implementada.
Nesse caso, a crítica ao governo não significa defesa da continuidade do mercado regulado. O candidato apoia a proibição, mas questiona o momento em que ela foi implementada e sua utilização no contexto eleitoral.
Diferentes posições sobre o futuro das apostas
As declarações dos cinco principais candidatos mostram que a discussão sobre as bets não se divide simplesmente entre quem apoia ou rejeita a proibição.
Lula defende o encerramento das apostas de quota fixa e dos jogos online como uma medida relacionada ao endividamento, à saúde pública e ao combate ao mercado ilegal.
Flávio Bolsonaro apresenta uma diferenciação entre as modalidades. Sua posição é contrária aos cassinos online, mas não estabelece a mesma oposição às apostas esportivas. Sua principal crítica à MP está relacionada ao alcance da proibição e ao momento em que ela foi adotada.
Zema, Caiado e Renan, por outro lado, apresentam posições favoráveis a restrições mais amplas ou ao fim das bets. As críticas desses candidatos concentram-se principalmente na decisão de Lula de implementar a medida na reta final da campanha.
A diferença é relevante para o setor de iGaming porque coloca em discussão dois temas distintos: qual deve ser o futuro das apostas no Brasil e de que maneira uma eventual mudança de política pública deve ser implementada.
Futuro das bets depende agora do Congresso
Apesar de a MP já produzir efeitos, a proibição não representa uma decisão definitiva tomada exclusivamente pelo Executivo. O Congresso Nacional terá de analisar o texto para que ele continue vigente de forma permanente.
Esse aspecto é particularmente relevante para o mercado regulado, já que a MP altera de forma imediata o ambiente jurídico no qual os operadores autorizados vinham atuando.
O futuro da medida, portanto, também dependerá do processo legislativo e das posições que serão adotadas no Congresso durante e após o período eleitoral.
Para o setor, a questão central não é apenas quem apoia ou rejeita as bets, mas qual modelo cada candidato pretende adotar caso a MP seja modificada, rejeitada ou perca sua validade no Congresso.
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, as apostas de quota fixa passaram a ocupar um espaço relevante na agenda eleitoral brasileira, colocando em discussão não apenas a regulamentação do setor, mas também o futuro do mercado legal construído nos últimos anos.
Categoría:Legislacion
Tags: Sin tags
País: Brasil
Región: Sudamérica
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