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Apostas esportivas podem não sustentar patrocínios no futebol

Segunda-feira 26 de Outubro 2026 / 12:00

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(Brasília).- A manutenção exclusiva das apostas esportivas no Brasil pode não ser suficiente para garantir os atuais níveis de patrocínio das casas de apostas aos clubes de futebol. Segundo análise publicada pelo Estadão, a eventual exclusão dos cassinos online do mercado brasileiro pode comprometer a capacidade financeira das operadoras e reduzir os investimentos destinados ao esporte.

Apostas esportivas podem não sustentar patrocínios no futebol

Cassinos online concentram até 80% da receita das operadoras

Um dos principais fatores de preocupação para o mercado é a participação dos jogos de cassino online no faturamento das empresas de apostas. De acordo com uma fonte do setor ouvida pelo Estadão, essas modalidades, incluindo os populares jogos conhecidos como “tigrinho”, representam entre 70% e 80% da receita das operadoras.

A restrição aos cassinos online, portanto, poderia reduzir significativamente os recursos disponíveis para publicidade, marketing e patrocínios esportivos, mesmo que as apostas esportivas continuassem autorizadas.

As diferenças operacionais entre as modalidades também influenciam essa perspectiva. Enquanto os cassinos online funcionam com sistemas automatizados e margens previamente estabelecidas, as apostas esportivas exigem investimentos em publicidade, acompanhamento de competições e monitoramento de partidas.

Clubes receberam R$ 5 bilhões em patrocínios em 2025

O peso das casas de apostas no financiamento do futebol brasileiro ajuda a dimensionar os possíveis efeitos de uma mudança regulatória.

Um levantamento do Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva da Universidade Federal do Paraná (IPE/UFPR), citado pelo Estadão, aponta que 16 clubes arrecadaram R$ 5 bilhões em patrocínios de empresas de apostas em 2025. No mesmo período, o faturamento das operadoras do segmento foi estimado em R$ 30 bilhões.

A dimensão desses valores evidencia a relevância econômica do setor para os clubes e a possibilidade de que uma redução das receitas das operadoras afete diretamente os contratos comerciais firmados com as equipes.

Falta de transparência dificulta estimativas

Fernando Marinho Mezzadri, coordenador-geral do IPE e professor da Universidade Federal do Paraná, destaca que a falta de informações detalhadas sobre o faturamento das empresas dificulta a avaliação dos impactos de um mercado restrito às apostas esportivas.

Nesse contexto, o especialista defende a discussão sobre a criação de um Fundo Nacional do Esporte, com o objetivo de ampliar a transparência e proporcionar maior previsibilidade ao financiamento esportivo.

A composição das receitas varia entre as operadoras, o que também dificulta projetar os efeitos de uma eventual restrição aos cassinos online sobre o orçamento destinado aos patrocínios.

ANJL aponta necessidade de rever investimentos

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) avalia que mudanças nas modalidades autorizadas exigiriam uma revisão das operações das empresas e dos investimentos já realizados.

Como cada operadora apresenta uma estrutura de receitas própria, os impactos de uma eventual limitação do mercado não seriam necessariamente iguais para todas as empresas. Ainda assim, a redução das fontes de receita poderia pressionar os orçamentos de marketing e alterar as condições dos contratos de patrocínio.

Futuro dos patrocínios depende da definição regulatória

A Medida Provisória 1.394/2026, assinada em 25 de setembro, estabeleceu a proibição das apostas e dos cassinos online no Brasil. As emendas apresentadas durante a tramitação buscam preservar as apostas esportivas, sem contemplar a retomada dos jogos de cassino online.

O Congresso Nacional tem prazo de 120 dias, contado da edição da medida, para decidir sobre sua conversão em lei.

Para o mercado de iGaming, a definição regulatória será determinante não apenas para a continuidade das operações, mas também para a dimensão dos investimentos comerciais associados ao futebol brasileiro. Caso as apostas esportivas permaneçam autorizadas sem os cassinos online, a capacidade das operadoras de sustentar os atuais níveis de patrocínio dependerá da receita que conseguirem gerar no novo cenário.

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País: Brasil

Región: Sudamérica

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